Enfim, Sherlock voltou. E misteriosamente, numa temporada que dividiu fãs. Alguns amaram, alguns odiaram, alguns detestaram. É a pior temporada da série? Possível. Mas isso não é demérito algum e, destrinchando os elementos desta, explicarei o porquê.

Spoilers da 4ª temporada a seguir. Siga por sua conta e risco, jovem aspirante a detetive consultor:

A temporada de fato começou morna, se comparado ao hilário e mirabolante retorno da 3ª temporada (The Empty Hearse, 2014) ou ao tenso retorno da 2ª (A Scandal in Belgravia, 2012). Mas de alguma forma, a série manteve um nível a ponto do episódio ainda assim ser incrível, se comparado à maioria dos produtos que consumimos na televisão hoje em dia.

Acredito que a série, junto à necessidade massaveista de mais e mais que os fãs de hoje têm, seguiu por um caminho mais intimista do que de costume. E isso foi bom na minha concepção por finalmente fazer dos protagonistas da série pessoas, de carne e osso, com seus problemas e conflitos internos.

Vilões: Quem está à altura de Jim Moriarty?

Fomos introduzidos em seu segundo episódio este ano (The Lying Detective, 2017 – Um dos melhores episódios de toda a série), ao vilão do episódio, Culverton Smith, interpretado magistralmente por Toby Jones (Capitão América: O Primeiro Vingador) e a Eurus Holmes, a vilã da temporada, com trejeitos e comportamento excepcionalmente feitos por Sian Brooke (Housewife, 49).

Acho que foi o contraste que alguns espectadores rejeitaram com ambos vilões. O primeiro, em um episódio lógico, racional, ainda que Sherlock estivesse na beirada de um colapso emocional; enquanto o outro, em momentos sentimentais, explicitando a psique do personagem sob um viés do coração.

A intenção foi boa, e foi bem executado sim. Só que após dois anos com um personagem principal frio e calculista, e um ano que somos meramente apresentados ao seu lado emocional, uma temporada focada nisso de fato causa estranheza. Mas diferente do que dizem, acho a humanização de Sherlock Holmes (Benedict Cumberbatch, Doutor Estranho) essencial para a conclusão da série como um todo. Porém, nem só de rosas vive Baker Street, então vamos à parte ruim da coisa:

Pontos negativos da 4ª temporada:

A temporada é desorganizada narrativamente, se visto todo o escopo da série. Mary Watson (Amanda Abbington, Mr. Selfridge) e sua morte só servem de muleta de roteiro muitas vezes. [Gostei da narração ao final, porém] Personagens secundários como Molly e Lestrade (Louise Brealey e Rupert Graves, respectivamente) mal são usados na trama e por muitas vezes a série brinca com nossa nostalgia, trazendo fan service ao invés de uma história redondinha.

Está bem, entendemos que o vento do Leste (que começou como piadinha) ia ser trama da temporada, eventualmente. Compramos a ideia de que a família Holmes tem uma filha secreta. Mas sério que mesmo depois disso tudo, vocês ainda querem colocar Moriarty goela abaixo dos fãs?

Não me entendam mal. Amo Andrew Scott (007 Contra Spectre) e vou protege-lo. E sua cena no heliporto da Alcatraz fajuta no season finale foi sensacional. Mas pra que brincar com sua possível volta dos mortos no fim da temporada passada (His Last Vow, 2014 – “Did you miss me?”) se era só para trazer nostalgia à tela? Isso esbanja falta de planejamento narrativo e é sim um defeito grande a se pontuar.

Considerações finais: I want to break free

Enfim, acho que a temporada tem sim seus defeitos. E pode compreensivelmente ser considerada a pior temporada, até porque a primeira e a segunda temporadas foram duas das melhores coisas já feitas para o entretenimento televisivo. Mas não é demérito algum.

A temporada teve uma baita evolução de personagens com seus protagonistas, nos entregou episódios e momentos memoráveis e no fim, divertiu como devia ser. Vale elogiar as performances de Dr. Watson (Martin Freeman, O Hobbit), Mycroft (Mark Gatiss, Taboo) e, principalmente, Sra. Hudson (Una Tubbs, Golden Years), que estava divina nesta temporada.

Maior parte das críticas se deve ao fato de que, devido à longa espera de novos episódios, estarmos com expectativas lá no alto, e ao advento da internet que só faz crescer nos últimos anos e nos permite ser detetives consultores a ponto de achar as tramas e desenrolares destas previsíveis.

Sabendo que a série desenhou seu fim, principalmente por causa das agendas superlotadas se seus protagonistas, Freeman e Cumberbatch, ainda desejo uma 5ª temporada. Acho que pelo afeto que criei pelos personagens e tramas nesses 7 anos, talvez. Todavia, se for mesmo seu derradeiro fim, e que baita fim, como sempre estiveram lá, eles sempre estarão. Os melhores e mais inteligentes homens que já conheci. Meus meninos de Baker Street. Sherlock Holmes e Dr. Watson.

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Eduardo Bastos

Não conheci o mundo nerd por querer!