Após o seu longo hiato, Benedict Cumberbatch retorna para mais uma temporada como Sherlock Holmes e aqui está uma review do primeiro episódio da quarta temporada.

Aviso aos detetives de plantão que o post contém spoilers.

The Six Thatchers inicia com louvor esta quarta temporada da série que mantém mais fãs aflitos por anos e anos, à espera de novos episódios. Após um gostinho da série ano passado com o episódio de natal e uma certa noiva abominável, o retorno faz jus à espera.

E por mais lento que seja, o episódio dá continuidade às pontas soltas de seu ano anterior, ao mesmo tempo que dá novos indícios de mistérios e desenvolvimento de personagens crucial à proposta seriada. Após “matar as saudades” de Moriarty e acertar as contas com o governo britânico por atirar em Magnussen no fim do último episódio, damos início a mais um caso que, como típico de Sherlock Holmes, começa misteriosamente simples e toma proporções hiperbólicas.

Um jovem que apareceu morto em seu carro, sendo que deveria estar de viagem mochilando, dias após o aniversário de seu pai. Entre bustos quebrados de Margaret Thatcher (que comicamente o detetive desconhecia) e invasões sem propósito, eis que, talvez esotericamente demais, o caso se liga a uma de nossas protagonistas e temos o mote inicial para o personagem de Arthur Conan Doyle.

Porém, antes de adentrar o caso, devo ressaltar a adição da pequena Rosie Watson, esperada e anunciada desde o casamento de John.Seu parto e batismo foram hilários e acredito veemente que mudará a dinâmica dos protagonistas de forma ímpar. O detetive agora tem alguém a mais a se preocupar e que possivelmente o ajudará a desenvolver sua humanidade, a qual já apresenta indícios. Suas conversas com o bebê já mostram de antemão.

Voltando à trama, logicamente o caso de um início de temporada tem de ser intrínseco à trama central da série. Logo, liga-se o destruidor de bustos, Ajay, ao serviço secreto o qual Mary Watson fazia parte e os pendrives A.G.R.A.. O passado de Mary vem à tona novamente, e saúdo Amanda Abbington pelas divinas nuances que deu a cada personalidade incorporada em seus disfarces pelo mundo. Elementar que seu marido e o maior detetive do mundo a encontrariam, mas a cena foi incrível.

Agora, à parte mais importante, que fora a cena no aquário, na qual Sherlock e Mary vão confrontar a pessoa responsável pela traição que destruiu o grupo A.G.R.A.. e que acabou por bagunçar as suas, no momento, pacatas vidas. E era ninguém menos que a secretária com o castiçal na varanda. Vivian Nurbury. (Para quem não sabe, o nome remete ao romance The Yellow Face, no qual Sherlock comete um erro numa cidade chamada Nurbury e pede para que Watson o lembre frequentemente com esta palavra quando ele for arrogante demasiado.)

E tal qual o personagem costuma ser, sua arrogância é a ruína, entretanto, não a sua própria. Por querer provocar a secretária, causa a morte da esposa de seu amigo Watson, algo que vai de encontro à sua promessa de protegê-la e mantê-la a salvo. Certamente, Watson não vai perdoá-lo tão cedo, o que deve deixar Sherlock num abismo emocional como visto nos promos da temporada. E isso é ótimo para o desenvolvimento do personagem. Como visto na cena final, referência à cena do livro, o detetive pede à Sra. Hudson para lembrá-lo o quanto sua arrogância pode levá-lo ao fracasso, o que o fará crescer de verdade como ser humano. E por mais que pareça uma raiva eterna, John eventualmente o perdoará, seguindo o que foi estabelecido na série.

Apesar de achar a morte de Mary prematura na série, estou ansioso para o que virá a seguir e encantado com os personagens, motes e reviravoltas tão saudosas e que sempre deixam aquele gosto de quero mais. Também estou curioso para ver o vilão anunciado, que Toby Jones (Capitão América: O Primeiro Vingador) interpretará e como repercutirá na série.

Sobre a traição de Watson, achei a mulher do ônibus suspeita e sei que dará muito pano para a manga ainda. Estranhei também na hora que Mary apagou Sherlock, o mesmo se ver pequeno com seu cachorro, Redbeard. Deve ser algo que repercutirá no futuro. Por sinal, alguém mais notou Mycroft referenciando um possível terceiro irmão?

Predestinação, novos destinos e velhos erros, a dicotomia me consome. Ao mesmo tempo que quero logo os próximos episódios, não sei se conseguirei suportar numa boa outro longo hiato até a quinta temporada. Pois é, Sherlock. Agora só lhe resta salvar John Watson. E ir para o inferno.

 “Era uma vez, um comerciante. Em um famoso mercado em Bagdá. Um dia, viu um estranho lhe olhando surpreso, e ele sabia que o estranho era a Morte. Apavorado e trêmulo, o comerciante fugiu do mercado por quilômetros e quilômetros até a cidade de Samarra, certo de que a Morte não o acharia lá. Mas quando finalmente chegou, o comerciante viu esperando-o o sombrio semblante da Morte. “Muito bem” – disse ele – “Sou teu. Mas diga-me, por que a surpresa quando me viu em Bagdá? ” “Porque…” – disse a Morte – “tínhamos um encontro esta noite,
em Samarra.”

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Eduardo Bastos

Não conheci o mundo nerd por querer!