“Algumas pessoas escolhem ver a fealdade em este mundo, a desordem. Eu escolho ver a beleza. Acreditar que há uma ordem para nossos dias. Um propósito.”

-Dolores Abernathy

A SÉRIE

A série Westworld nos traz um mundo de ficção científica, tão sedutor quanto se possa ser. Com todo aspecto do bom e velho oeste, aliado a personagens renomados e de atuações sagazes.

Mas apesar de toda a beleza faroeste, não podemos nos esquecer de contemplarmos o que há de belo também na tecnologia e na robótica, que, a propósito, foi graças a ela todo cenário empoeirado, cavalos e figurantes. Sim, o mundo de Westworld não é só o cenário em si, mas os anfitriões, robôs tão idênticos aos humanos, fazendo parte do parque. Centenas deles, seguindo seus roteiros diariamente, com direito a loops, variações e improvisos.

As atuações estão digníssimas ao nível que a série propõe, e podemos dizer o mesmo do elenco, com Evan Rachel Wood, Anthony Hopkins, Ed Harris, Thandie Newton e nosso querido Rodrigo Santoro, que desempenha um papel importante. Assim como as tramas acompanhadas de uma trilha sonora eloquente e em sua maioria, sendo uma mescla característica de música de Saloon e clássica, trazendo uma ideia do velho e do novo, do antigo unido ao atual, cheias de sentimentalismos. Nos deparemos também com questionamentos filosóficos e inesquecíveis citações de Shakespeare.

É encantador os tantos detalhes que adornam e referenciam esse cenário de ficção científica. A fotografia é incrível, e os discretos efeitos especiais dão um encantamento e funcionalidade única.

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Dr. Ford (Anthony Hopkins) e Bernard (Jeffrey Wright)

A TRAMA

A série nos faz mergulharmos no seio de cada personagem indistintamente, nos apresentando suas histórias e pensamentos singulares, trazendo uma carga dramática, na qual nos faz questionar, fazendo-nos apegar a certos personagens, sendo eles quem são. Contudo, por mais minuciosos que sejam os detalhes encontrados no caminho, o contraponto surge quando as três leis da robótica são quebradas, deixando Asimov um pouco preocupado. Em que lado ficaremos? Será que os anfitriões realmente não têm sentimentos reais? Assim como eles foram programados, nós também não fomos?

Se isso já mexe com nossa mente, imagina como seria se vivenciássemos esse tipo de experiência no parque. Teria coragem ou medo de descobrir seu verdadeiro Eu? Apesar de encher os olhos do público, descobrir seu verdadeiro Eu é uma proposta convidativa e quase irrecusável, mas existe muito mais que isso em jogo.

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Armistice (Ingrid Bolsø Berdal), Lawrence (Clifton Collins Jr), Logan (Ben Barnes), William (Jimmi Simpson) e Hector (Rodrigo Santoro)

Não se contentando em apenas criarem inteligências artificiais, chegando ao nível de criar autoconsciência, através de certos mecanismos lógicos e significativos. E dessa forma, se há vida (?).

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A HBO ousou ir onde ninguém foi, e os criadores Jonathan Nolan e sua esposa Lisa Joy estão de parabéns por nos dar essa obra de arte intelectual. Westworld é uma das séries mais bem-sucedidas da HBO, conseguindo fechar todo um arco principal na primeira temporada, resolvendo muitos dos enigmas que se revelam ao decorrer da série, deixando ainda brechas para próximas temporadas, prometendo subir um pouco mais o nível. Será que chegarão ao patamar de quebrarem a quarta lei que Isaac Asimov nos apresenta, a Lei Zero?

Seja o que for, lembrem-se de duas coisas importantíssimas:

[…] se for atrás da verdade, vá até o fim. É como uma boa foda, se for parar na metade, nem comece. – Meave.

“Esses prazeres violentos têm fins violentos” – Shakespeare.