Falar de Penny é falar da vida, do que é efêmero e do que é eterno, de maneira fortemente filosófica, dos conceitos mais profundos e dos sentimentos mais avassaladores.

Mas, vamos começar do início.

Na Inglaterra, no século XIX, existiam publicações de ficção de terror vendidas nas ruas vitorianas, que custavam 1 centavo, ficando assim conhecidas como centavo do terror. Daí se deu o nome Penny Dreadful.

E esta não deixou de cumprir a fama que teve. Envolvida numa tensa atmosfera de terror, a série trás um misto de personagens clássicos da língua inglesa, e uma alta dosagem de poesia e cultura.

Somos apresentados então, às personagens intrigantes e bastante conhecidas pelos cults da literatura, como Dorian Gray (de Oscar Wilde), Victor Frankenstein (de Mary Shelley) e seus monstros, assim como outros não menos importantes. E finalmente, a adorável amaldiçoada Vanessa Ives, a quem a série nos apresenta sua vida num dos espetáculos dramáticos mais formidáveis do cenário do terror.

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Assim, as histórias e arcos de cada personagem vão se desenvolvendo, devagar em certos momentos, e se entrelaçando entre tramas envolventes e diálogos transcendentais, como alguns deles são em sua própria natureza. Cheios de citações como Shakespeare e John Clare. Personagens esses revestidos de amargura e ódio, ternura e amor.

As narrativas são dotadas de sentimentalismo e de um nível de intelectualidade, como se subentendessem que o espectador já conhecesse tais personagens, mantendo também um nível requintado, sem dar muitas explicações, para que nós possamos juntar as peças do quebra-cabeça, exigindo um pouco mais de nossa interpretação e perspicácia para que compreendamos a fundo o real significado de todas as coisas.

Vemos uma liga se formando, por uma incrível coincidência – ou não – começamos a notar certas semelhanças aqui e ali, e lembramos-nos de A Liga Extraordinária. Sim. Podemos enxergar fortes influencias (ou referencias, se preferirem). Mas ainda assim, a originalidade de John Logan, criador da série, é persistente e fluida, a própria Ives é prova disso.

Tanto o cenário, como as vestimentas nos transportam à Londres Vitoriana numa riqueza e admirável verossimilhança, e não somente aí, mas nos becos escuros e navios abandonados como portais para um submundo sangrento e perturbador. Sem esquecermos-nos de toda mitologia usada, os rituais com rebuscados embasamentos religiosos, e um sistema de magia chamada Verbis Diablo, uma língua artificial criada pelo linguista e escritor David J. Peterson, o mesmo criador das Línguas Valirianas e da língua Dothraki de Game of Thrones.

Os valores que aprendemos em Penny são inesquecíveis. O cotidiano repleto de luz e sombras é o reflexo da alma de Vanessa, e apesar da famosa rivalidade, nela esses conceitos se unem como se se completassem. Simplesmente isso é o que ela é, uma canção tristemente linda. A maior batalha não é aquela que travamos lá fora, e sim a que lutamos dia após dia conosco, tão dentro de nós. E, apesar de toda ajuda dos nossos fiés amigos, aqui dentro, estamos sós (ou com nosso Deus). Pois eles também têm de travar suas próprias batalhas.

Às mulheres fortes. Lilly foi espetacular em seu papel, apesar de todo o ódio (perfeitamente entendível), sua causa era nobre. E ela lutou até o fim contra todo o tipo de violência contra as mulheres, chegando ser a líder e salvadora de um grupo de mulheres que dariam início de uma revolução.

Vanessa Ives é uma mulher e de absurdo infortúnio. Seus pesadelos são reais, e seus amores são ilusões que lhe destroem de dentro para fora. E, além de toda desgraça sobre ela, e sua fé abalada, no fim de todo caos, ela nunca abandonou inteiramente Deus e sua crença nele.

Eva Green as Vanessa Ives in Penny Dreadful (season 1, episode 1). - Photo: Patrick Redmond/SHOWTIME - Photo ID: PennyDreadful_S1_QU6A2491

Eva Green interpretando Vanessa Ives

Eva Green consegue passar toda a pesada carga espiritual e expressiva que sua personagem tem. A atuação de Eva Green é digna de um Oscar – isso mesmo, não disse Emmy.

Ainda que o final da série seja perdido e decepcionante, Penny Dreadful vale apena ser vivida, com uma trilha sonora plena de emoções impecavelmente característica do clima da série, com vilões temíveis e elegantes. Conhecer a Srtª Ives é uma experiência incomum e memorável, um mergulho em nosso próprio oceano.

Podemos dizer que Vanessa Ives entrou para os gigantes personagens clássicos ingleses.

  • Roger Grimm

    Pra mim o final foi épico sem se perder em um emaranhado de histórias que não precisavam, notável atuação da Eva Green, que me fez buscar mais papéis já feitos por ela, pra descobrir que ela é uma das maiores atrizes dos últimos tempos. Foi memorável com um final impecável, que entrou pra lista de melhores seriados de terror que eu já vi, simplesmente encantado!

  • Yan S. L. Alves

    Eva Green é uma das melhores atrizes que já conheci, e depois de Penny, então, ela ganhou o coração de muitos. Vanessa Ives é o papel mais notável que ela já fez, e a personagem é uma das mais bem construídas. É um romance exuberante e irresistível com todo espectador e fã. Somos apaixonados. Mas quanto ao final, esperava mais. Começando de Lilly, com aquela história de filha, foi tão perceptivelmente irreal, como se eles inventassem de ultima hora para dar um pequeno improviso, e o Victor, depois de tudo aquilo, ao ouvir uma historia mal contada, desiste de tudo sem hesitar! Não combina com o perfil de Penny. Uma série que trabalha numa linha tão tênue… O Drácula, então, o que foi aquilo? Ficou brincando com as crianças enquanto deixava o Ethan passar. Um personagem tão poderoso, bem construído, esperávamos uma briga mortal entre vampiro e lobisomem, e o que vemos é triste. Quando o desfecho de Vanessa, não tenho muito do que reclamar. Mas esperava um Plot Twist clássico, como é do feitio da série. Não foi ruim, o final, ainda que seja decepcionante.

  • Yan S. L. Alves

    Eva Green é uma das melhores atrizes que já conheci, e depois de Penny, então, ela ganhou o coração de muitos. Vanessa Ives é o papel mais notável que ela já fez, e a personagem é uma das mais bem construídas. É um romance exuberante e irresistível com todo espectador e fã. Somos apaixonados. Mas quanto ao final, esperava mais. Começando de Lilly, com aquela história de filha, foi tão perceptivelmente irreal, como se eles inventassem de ultima hora para dar um pequeno improviso, e o Victor, depois de tudo aquilo, ao ouvir uma historia mal contada, desiste de tudo sem hesitar! Não combina com o perfil de Penny. Uma série que trabalha numa linha tão tênue… O Drácula, então, o que foi aquilo? Ficou brincando com as crianças enquanto deixava o Ethan passar. Um personagem tão poderoso, bem construído, esperávamos uma briga mortal entre vampiro e lobisomem, e o que vemos é triste. Quando o desfecho de Vanessa, não tenho muito do que reclamar. Mas esperava um Plot Twist clássico, como é do feitio da série. Não foi ruim, o final, ainda que seja decepcionante.