Talvez você ainda tenha algo importante a fazer, alguém especial para salvar ou alguém ruim para matar. Eu não sei. Eu gosto de pensar que você pode mudar alguma coisa por ser quem é.

Fala reseters! Estou aqui para analisar o livro que me tirou da zona de conforto em 2016, o livro que quando eu terminei, só tinha elogios para dar à Editora Empíreo e a autora Cláudia Lemes, o livro que quase me fez chorar algumas vezes, o livro que entrou para a lista de meus livros favoritos, mas antes de analisa-lo, vamos para a sinopse.

Um Martíni com o Diabo

O jovem Charlie Walsh está em Las Vegas, não para tentar a sorte, e sim para matar seu pai, o chefe da máfia italiana, Tony Conicci. O plano era infiltrar-se no restrito grupo de confiança da família Conicci e se aproximar do chefão. Mas Las Vegas corrompe.

O desejo de vingança de Charlie é posto em prova quando ele se vê seduzido por amizades, poder, drogas e dinheiro que a máfia oferece. Com o FBI em sua cola, e secretamente apaixonado pela enigmática esposa do pai, ele precisará decidir onde apostar sua lealdade.

Depois do sucesso Eu vejo Kate – O despertar de um serial killerCláudia Lemes convida seus leitores a mergulharem em um romance policial noir, recheado com uma boa e tradicional história sobre a máfia italiana. Inspirada pelo clássico O Poderoso Chefão (Mario Puzo) e pelos mestres do gênero noir, Dashiell Hammett, Elmore Leonard e James Ellroy, a autora constrói um drama movido pela vingança e pelo ódio de um filho pelo pai.

O Magistral Enredo

A trama é toda perfeitamente bem construída, a autora consegue fazer com que nós estejamos diretamente lá, a forma como a mesma descreve Las Vegas, uma cidade chamativa, atraente, mas ao mesmo tempo artificial e viciosa, é de se admirar, e essa descrição da cidade acaba por dar ao leitor uma sensação claustrofóbica, que faz com que pareça que aquelas pessoas nunca conseguirão sair de lá, o que nos causa pânico e tristeza.

O personagem principal, Charlie Walsh é um menino irlandês de 18 anos que depois de ouvir o relato de sua mãe, acaba por ser levado por toda a sua raiva adolescente a procurar vingança contra seu próprio pai, e naquele momento de reflexão do personagem sobre o que ele iria fazer sobre tais circunstâncias (das quais não irei falar se não seria “spoiler”), nos pegamos por concordar com tais pensamentos.

Isso porque a autora deixa explicito o que acontecera, o que nos leva a um novo ponto, a brincadeira com a moral do leitor, somos instigados a isso, e acabamos por mergulhar nesse mundo com Charlie, achando realmente que o que o mesmo estava fazendo, era certo, o que torna tudo ainda mais curioso, pois o destino de sua vingança é incerto.

Os Personagens

Charlie é o arquétipo perfeito do anti-herói, nos preocupamos com ele, quando ele erra, quando ele acerta cada tipo de leitor vai se preocupar com ele de um jeito, seja como filho ou como uma pessoa que você se identifica, o certo é que ele é tão carismático que você o perdoa.

O antagonista é fantástico, Tony Connici um homem que é aparentemente sério e enigmático, mas com o decorrer da trama, nos é mostrado quem ele é de verdade, o diabo do título é o Tony, um homem violento, sádico e manipulador.

Charlie acaba por ver nele uma figura paterna, e começa a achar que o mesmo não é tão mal quanto ele achava que fosse, e nós também começamos a achar isso, pois a máfia italiana foi muito romanceada em outras mídias, e aqui nesse livro, a autora quer mostrar como a máfia é de verdade, com todos os seus podres, ela não nos esconde nada, e acabamos por ver que o protagonista está em um caminho de perdição.

Os personagens secundários possuem muita personalidade, defeitos e qualidades, tendo mulheres sofridas que mais tarde se tornam fortes, homens fortes que mais tarde se tornam fracos, amizades fortes e sofridas, romances fadados ao fracasso.

É um prato cheio se você gosta de uma boa construção de personagens, e o mais interessante é que todos esses personagens não estão lá só por estarem, eles possuem importância na trama, e isso os deixam vivos, o que torna tudo mais sublime.

“Prendendo” o público

Os diálogos são impressionantes, com conversas despretensiosas em bares, conversas carregadas de tristeza e ódio, que fazem com que o leitor sinta o que os personagens estão passando, quase chorei três vezes enquanto estava lendo o livro, o que não é muito fácil de acontecer.

A autora consegue através de alguns diálogos, mexer no nosso emocional, o que é muito difícil de ver, e que está cada vez mais raro hoje em dia.

Um Martíni com o Diabo é uma tragédia grega clássica, cheia de reviravoltas, violência e personagens cativantes, mas deixando de lado o já saturado maniqueísmo, é através dos olhos de um boyo (garoto em irlandês) vingativo, que acabamos por observar as nuances de uma vida trágica e complexa, que das sombras e luzes de uma Las Vegas viciosa, descobrimos a verdade das grandes máfias italianas, uma organização impiedosa e atraente.

Nos pequenos detalhes notamos que apesar do tema principal ser vingança, vemos que a paternidade é algo importante na criação de um jovem, que o amor pode tanto nos beneficiar quanto nos prejudicar, e o mais importante, vemos a degradação humana, a perdição do homem, assuntos que são abordados de maneira magistral pela autora.

Consideração Final 

A editora Empíreo e a autora Cláudia Lemes, nos trouxeram uma grande surpresa para o final de 2016, Um Martíni com o Diabo é sem dúvidas um dos melhores livros de máfia que eu já tive a oportunidade de ler, e está na minha lista de livros favoritos. Muito obrigado à vocês que nos deram esse livro lindo, em tudo o livro consegue ser fantástico, desde a capa até o tipo de papel usado, recomendo e muito vocês lerem, creio que irão gostar tanto quanto eu.

Livro: Um Martini com o Diabo
Autor(a): Cláudia Lemes
Gênero: Romance policial, romance noir
Editora: Editora Empíreo
Páginas: 378

Nota: 9,7/10,0

 

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