No início deste mês de maio, a Panini Comics, editora responsável por, entre outras coisas, distribuir histórias em quadrinhos da Marvel e da DC no Brasil, tomou uma atitude online que hei de gerar uma certa controvérsia e discussão entre aqueles que baixam ilegalmente, aqueles que leem a mídia física e aqueles que optam por ambos (por que não?).

A sites que continham scans piratas em seu acervo, a Panini enviou um e-mail, no qual pleiteava:

“A remoção integral de todas as scans de quadrinhos da Marvel e DC Comics (incluindo quaisquer selos como a Wildstorm e a Vertigo), que estão sob copyright da Panini Brasil […]”

Além de ameaça sob o não-cumprimento que resultaria em ação legal. Sendo assim, vários sites retiraram do ar seus links relacionados e/ou ocultaram sua biblioteca.

Vendo o lado “ruim” da moeda

Primeiro, gostaria de deixar claro minha opinião sobre o assunto. Acredito sim que se você gosta de determinado produto, deve-se sim contribuir para a indústria do mesmo. Apesar de extrema, penso ser totalmente plausível e compreensível a atitude da editora. Dito isso, vou falar de alguns pontos em que a disponibilidade destes produtos online faz-se útil.

Incialmente, o menos pior sofrido é o atraso. Renascimento, por exemplo, a nova fase da DC nos quadrinhos, está chegando com mais ou menos um ano de diferença em terras tupiniquins. Somado a isso, a periodicidade de sua publicação nem sempre é seguida à risca. Suponhamos que uma história do Batman atrase em dois meses, enquanto a Liga da Justiça é publicado mensalmente sem problemas. Entre as revistas da Liga, houve um tie-in (ligação entre as histórias) com o Batman, e o leitor ficou perdido, já que não pôde ler a revista que explicava o que ocorreu.

O maior problema, entretanto, ao meu ver, é com relação às histórias mais antigas. Não são todas as revistas dos anos 60, 70, 80 que você acha com facilidade à venda em um local que não seja um “sebo” ou uma loja bem específica. Os downloads de certa forma facilitavam isso, aquele que tivesse poderia disponibilizar e dividir com os demais interessados.

O maior benefício do download (e como fazer dele legal)

Pelos comentários que vejo online, muitos aficionados em quadrinhos começaram a leitura ao baixar a história em quadrinhos de sua escolha. Por isso, pode-se considerar o acesso fácil (foquem na palavra acesso) como uma introdução àquele mundo, ou, ainda que não introdução, um despertar de interesse. Afinal, você pode muito bem fazer o download e ler uma HQ, gostar e querer comprá-la por causa disso.

E é aí que entra qual acredito que seria uma boa solução para ambos os lados, tanto a editora quanto os leitores digitais assíduos. Criar a sua própria biblioteca virtual. Nela, poderia disponibilizar quadrinhos, dos mais novos aos mais antigos, na forma de um “e-comicbook”, talvez. E talvez até liberar uma leitura prévia gratuita, para que houvesse o interesse inicial e a certeza de compra. A própria Marvel dos Estados Unidos já tem algo parecido em seu site.

Isso facilitaria o acesso, levando em conta as lojas distantes, a época em que a revista desejada foi lançada, entre outros. Até erros de periodicidade poderiam ser mediados por um guia no próprio site, que informasse quando a HQ que falta seria publicada. Poderia até servir como um “Netflix dos quadrinhos” (como ambos Social Comics e Cosmic têm tentado).

Por fim, ressalto que espero que no fim dessa “guerra”, todos saiam felizes. Que a Panini se dê bem e lance mais e mais HQs e encadernados aqui. Que todos que queiram ler, consigam abrir a revista facinho, seja ela física ou digital. E que eu aumente ainda mais minha coleção de quadrinhos. Fiquem com Rao, reseters!

About The Author

Eduardo Bastos

Não conheci o mundo nerd por querer!