Em meados de 2016, a DC anunciou uma reformulação total de seus quadrinhos, com o fim da fase intitulada “Novos 52” para uma nova, o “Renascimento”. Com este renascer de publicações, alguns títulos foram cancelados, outros, reformulados, e alguns novos estrearam, como “Super-Filhos”, título criado por Peter Tomasi e Jorge Jimenez.

De início, a premissa é bem simples: Um team-up formado pelo filho do Batman, Damian Wayne, com o filho do Superman, Jon Kent, enfrentando ameaças menores, sob a perspectiva dos jovens. Estilo aquelas duplas improváveis que tanto permeiam as séries americanas, de comédias a policiais, com personalidades distintas, mas que de alguma forma se complementam. Simples assim. E simples é algo que cai muito bem à DC.

Super-Personagens – Os Menores do Mundo

A editora tem mostrado o apreço por fãs antigos ao trazer elementos clássicos importantes (talvez necessários) de volta. Com o fim dos Novos 52, optaram por se livrar desse Superman e, com o mega-saga “Convergência”, introduziram o Superman clássico a este mundo (Aquele de Christopher Reeve, um que inspira esperança), e ele veio com um filho, Jonathan Samuel Kent.

Jon tem um sorriso estampado no rosto, e um ar jovial de “aprendendo os meus poderes” que lembra a série Smallville nos seus melhores dias. Ele se preocupa com o mundo, e quer que as pessoas saibam que o homem ainda pode ser bom, que o “S” em seu peito não é só de Superboy.

Enquanto Damian, filho de Bruce Wayne com Talia al Ghul e treinado pela Liga dos Assassinos, tem um ar arrogante. Ele é mestre de artes marciais, um exímio detetive e filho do Batman, não há ninguém melhor, certo? Além de analisar sempre o panorama maior, quer mostrar serviço, provar que ele não é Robin somente por ser filho do Batman.

Essa dualidade de personalidades, que muitas vezes entram em conflito, mas sempre visam o bem comum, me passou um ar de versão mirim de “Melhores do Mundo” (Título da DC que unia o Superman e o Batman em aventuras como dupla). E, cara, isso é incrível, ver uma leveza, um senso de heroísmo no ponto certo, e acompanhar a jornada do herói desses dois novos personagens é exatamente a receita para uma revista em quadrinhos certeira.

Super-Crescimento – Por que caímos?

Não se engane, Superboy e Robin não enfrentam ameaças de nível global. Isso é problema da Liga da Justiça. Eles enfrentam os remanescentes do vírus Amazo, um assassino do futuro, e um mago do outro lado do multiverso, e por aí vai.

Essas ameaças nem tão “ameaçadoras” ajudam com a forma como a história é contada. Colocando o vilão como plano de fundo, pode-se explorar a evolução dos personagens nestas situações, com dilemas, e aprendizados. Afinal, são crianças e nada mais comum do que aprender. Ainda que seja nos perrengues do super-heroísmo.

Vê-los interagindo com os Jovens Titãs, Robin aprendendo a trabalhar melhor em equipe e até mesmo o valor da amizade, e Jon aprendendo que seus superpoderes não resolvem tudo, é algo tão incrível, tão gostoso de se ler. E é notável, conseguindo até mesmo tornar Damian um personagem carismático ao longo. Pois é, Damian Wayne.

Super Considerações Finais

Por fim, essa é a minha recomendação máxima da DC nos últimos tempos. Superman sempre foi meu super-herói preferido e fiquei encantado com Jon desde a primeira aparição. E qualquer coisa que me faça tolerar Damian é bônus. Ah, e a arte de Jorge Jimenez é sensacional, as expressões exalam emoção.

Com história envolvente, personagens super-carismáticos e trazendo à tona o verdadeiro sentido do que é ser super, Super-Filhos entra no rol de melhores novas ideias da última década dos quadrinhos, seja na Marvel ou na DC. Se curte quadrinhos a la Era de Prata, e quer terminar histórias com um sorriso no rosto – Insira tema de John Williams aqui – vai por mim, esta história é para você.

PS: Para não dizer que tudo são flores, a Edição Anual de Super-Filhos é péssima. Uma história sem pé, nem cabeça, sobre a Super-Liga de Bichinhos. Argh.

DC Renascimento está sendo publicado no Brasil pela Editora Panini, e acredito que devam lançar
um encadernado com entre 6 e 10 edições da revista. Super-Filhos é algo que se vale a pena ter na estante, então…

 

 

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Eduardo Bastos

Não conheci o mundo nerd por querer!