Fala Agentes!!!

Mark Millar já é um nome bem conhecido na industria midiática, uma figurinha velha no mundo dos quadrinhos, tendo criado uma legião de fãs para suas obras de tom cinematográfico que rodeia o mundo dos quadrinhos, tanto licenciados (Red Son, Guerra Civil os Supremos) como independentes (Wanted, Kick-Ass), originalidade nunca foi seu ponto forte, o escritor sempre soube usar temas já existentes, com uma narrativa forte e um tanto curiosa, com um belo desenvolvimento de personagens, mitologia e seus conceitos, regrados a violencia.

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É claro, que volta e meia sai algo que pode ser chamado de Master Piece (Red Son), quem conhece já sabe o que é um Millar Punch. Uma coisa boa do escritor é sua descrição para com suas obras, ele sabe fazer sinopses como ninguém, é facil achar suas obras em sites e logo se interessar, do polémico e chamativo ao nostalgico e violento, Mark Millar sempre sabe como começar algo, usando dos mais variados receptáculos do mundo POP, Agentes Secretos, Superman Satânico, Coringa como Batman, Watchmen com adolescentes e até Super heróis aposentados, é sempre legal ver seus roteiros “Saindo do Papel”.

O LEGADO DE JÚPITER

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Sinopse
Chloe e Brandon são os filhos dos maiores heróis do mundo. Eles conseguem ficar à altura de seus pais? Era um tempo mais simples para os super-heróis. Uma época em que, apesar das dificuldades, era fácil distinguir o objetivo principal dos heróis: o bem da comunidade. Hoje, o mundo mudou, novas crises o ameaçam e superseres diferentes cuidam dele. Entretanto, certos valores são difíceis de morrer. Do roteirista MARK MILLAR (Kick-Ass, Os Supremos, Kingsman: Serviço Secreto) e do artista FRANK QUITELY (Grandes Astros: Superman, Batman & Robin, We3).

A Panini lançou recentemente aqui no Brasil, a mais nova jogada do escritor, O Legado de Júpiter, o primeiro volume da nova geração de “heróis” e seus familiares. A HQ não tenta ser original, na verdade vacila muito em originalidade o que já é perceptivo logo na primeira edição do volume, o que realmente compensa aqui, é a diversão. Mas vamos por partes, Millar se reuniu com o co-criador Frank Quitely (Grandes Astros Superman) para dar vida a um mundo repleto de homenagens dramáticas, com ação pipoca da sessão da tarde e requintes de violência. Pode não ser lá… muita coisa pelo meu resumo, e realmente não é, mas tudo isso é muito bem executado.

Quando eu penso em o Legado de Júpiter, é difícil ignorar o “elefante branco” que está sendo colocado na sala das referências, não são situações esporádicas. É quase que um investimento no próprio leitor, que há essa altura do campeonato, é um ser difícil de agradar ou até impressionar, Millar joga seguro, mas arrisca em momentos chaves, a trama é bem “pipoca” com momentos adultos e usa do sentimento do leitor, para criar protagonistas que valem a pena serem acompanhados, assim reinventando um gênero para uma nova geração, e apresentando uma boa mitologia para seu universo.

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A respeito do volume, Millar mantem na maior parte do tempo o ritmo fluido e conciso, para alastrar seu épico sobre a família de Heróis. Nós como leitores, temos sim aquele sentimento, de que é um mundo vasto, graças a arte e alguns diálogos, a trama sempre mantem o foco nos Sampsons, a primeira família inteiramente de super-heróis, Millar, é capaz de explorar os inúmeros tons de cinza que cercam a concepção dessa família, não ha ninguém que seja preto no branco, camadas definem seus personagens, e são neles que botamos nossa vontade de ler.

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Como mencionado anteriormente, o Legado de Júpiter às vezes vai ter passar a sensação de ser uma amálgama de referências já manjadas. Os principais conceitos e temas para a família como, responsabilidade, legado do herói, bons costumes, autoridade, peso dos deveres, vida social e ditados calorosos, indo desde Superman e Quarteto Fantástico para Reino do Amanhã e Watchmen.

 O que faz o legado de Júpiter se destacar é o foco na família Sampson, existe um trabalho maravilhoso com destaque para a desconexão de gerações, entre o velho virtuoso cheio de proezas, a seus mais desiludidos herdeiros materialistas, com expectativas amargas de decepção.

 Millar apresenta dois mundos distintos encabeçados por duas gerações distintas, e fica melhor quando cada ponto é apresentado, é fortemente visível que cada geração familiar, representa uma era dos Quadrinhos, desde ouro até latão… não é preciso ser um especialista…

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Esta colisão de gerações compõe a maior parte da narrativa, posicionamento de cada herói, batalhas pela independência da América moderna, super vilões não tão passageiros, Millar usa essas tramas internas, justificando os porquês de cada geração, suas maquinações geralmente levam para o lado critico, e um pouco apressado para abrir o jogo. Alguns dos acontecimentos mais complexos da HQ são revelados muito cedo na trama, isso pode dar a impressão de que a leitura é rápida, cheia de momentos e eventos chocantes para o leitor, é um truque valido, principalmente para leitores de primeira viagem na obra. Cada personagem tem sempre seu gancho, Alguns com finais dolorosos e terríveis, outro em particular, se sobressaindo como herói, retornando a seu melhor, o que é esperado, o roteiro varia bastante nesses clichês, coisas da vida.

Talvez meu problema seja na releitura, por já conhecer a obra, o impacto foi insignificante, a algum manto que me distanciou do legado, em nenhum momento parei para absorver a história novamente, por simplesmente não me importar, mas pensando como foi minha primeira experiência, claro que daria um ponto positivo, a impressão de que acontece muita coisa em pouco tempo, não deixa a leitura arrastada, as referências ajudam, e a mitologia sempre te faz se perguntar sobre o resto da família, eu quero ver mais desse pessoal.

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De muitas maneiras o Legado de Júpiter me parece um capitulo no Checklist de Millar, a jornada de Chloe e Brandon, os antigos Sampsons, a família e seu foco em grande parte da trama serve como configuração para a ações bombásticas, que é habitual do próprio Millar, é claro que estou me referindo somente ao primeiro volume, os outros ficam no ar caso a Panini pretenda continuar com o Legado e o Circulo, é esperar… fico Otimista…

Vamos para a Arte de Quitely, um perfeccionista notório com um ataque de recursos visuais de cair o queixo ao lado colorista Peter Doherty. Muito se fala sobre o estilo característico do artista (e escurdeiro de Grant Morrison) Grande parte da minha memoria afetiva com esse volume, vem da arte, que faz bastante diferença, é como um filme comum mas com uma fotografia bacana junto a uma boa trilha sonora, esse exemplo resume a arte do cara e de tantos outros. É um verdadeiro talento, criar movimento no espaço, A dinâmica se mostra perfeita em batalhas verbais ou físicas, cada página tem o mesmo toque de continuidade, excepcionalmente diferenciadas, auxiliando na brincadeira entre gerações e suas diferenças ideológicas. Não importa o quão familiarizado ele te faz se sentir… é perder a atenção e “BOOM” tudo está diferente, isso é por muitas vezes… um dos grandes pontos positivos do material.

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Para alguns, a longa espera para a Panini lançar o legado de Júpiter vai valer a pena, vendo que Millar tem muitos fãs aqui no Brasil, e financeiramente isso é de grande ajuda, e já já o legado deve ganhar algum filme, mas para aqueles que já não querem mais do mesmo e estão otimista com a nova jogada por aqui, é bom diminuir suas expectativas para com o material, não discutindo qualidade, mas sempre há um outro lado da moeda que busca não retroceder com esse tipo de ideia já manjada, mas por sua vez vale sim experimentar o clima do primeiro volume do Legado de Júpiter, não vai abrir sua mente, mas é uma sessão pipoca para passar o tempo, com bons personagens, bela arte e aquele Millar maroto de Sempre.

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Millar e Quitely se unem para formar um conjunto talentoso, cada criador trazendo algo interessante para sua obra expansiva. Embora muitos dos temas sejam reformados de coisas que já vimos antes, sendo reinventados para uma nova geração, a execução da ideia é boa, tem um tom convidativo que não é difícil de ignorar. Pode não ser o épico que afirma ser (ainda), mas é no entanto, um conto emocionante e belamente ilustrado, de dois criadores com um legado próprio e já existente.

Conclusão


O primeiro volume de o Legado de Júpiter é um bom começo. A HQ carrega muitos dos ganchos que popularizaram Millar: personagens convidativos, violência agressiva, acontecimentos chocantes, desconstrução do herói, tudo em um novo pacote. A arte de Quitely fornece o ponto positivo final, virando uma história sólida em um rolar de páginas envolvente. Se o Roteiro não for o bastante, o visual certamente Será

Nota: 3,5/5

 

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