Fala agentes!

Chegamos ao fim de mais um ciclo com o Demolidor aqui no Brasil, agora quem estava no comando era o Super Mega Blaster Mark Waid (Superman: Legado das Estrelas, Empire e Reino do Amanhã), sim o Demolidor de Waid chegou ao fim nesse mês de julho em seu 11° Volume completando um arco trazido pela Panini, e que fase meus amigos, como posso não querer falar dela. Há anos não vemos uma sequência tão boa assim, em uma só fase, realmente Waid faz jus ao seu nome.

Com o final de uma era de mais 5 anos ( se não conhece a Era de 5 Anos clique aqui ), vou falar um pouco sobre tudo de bom que essa fase nos ofereceu e mudou no caráter do Homem Sem Medo e não apenas do Demolidor.

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Com uma nova visão altamente popular da série do Demolidor chegando para o publico em massa, muitos estão começando a se perguntar sobre os Quadrinhos. Será que são tão bons quanto o novo hit da Netflix?. A série se baseia no run de Frank Miller, Brian Michael Bendis e com aquela pegada de Ed Brubaker, nas histórias em quadrinhos é comum acompanharmos um herói dark, depressivo e suicida combatendo o crime nas ruas de Nova Iorque durante a noite e de dia nos tribunais, de um maneira tão frequente como se ele estive-se lutando para manter sua própria sanidade, mesclando com sua vida Social.

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Por que estou falando isso, simples fato, o Demolidor nem sempre foi assim, essa é a visão que temos até hoje, um herói denso, depressivo e até suicida. Imagem que foi popularizada por Frank Miller, não que isso seja algo ruim, afinal, foi o que vendeu o personagem  e o que mantém ele até hoje. Mas vamos para o inicio de tudo, lá nos anos 60 quando Stan Lee criou Matt Murdock ao lado de Bill Everett, aqui nesse momento, nos encontramos com histórias no minimo “bobinhasa”, galhofas no mais alto nível, isso é ruim? Obviamente não, mostra o aspecto da inocência contida nos quadrinhos da era de prata, mas que atualmente não são tão agradáveis para o leitor.

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Mas o que eu quero dizer, é: ” O mundo não precisa apenas do Matt Murdock pra baixo”. E parece que Mark Waid também pensa da mesma forma, logo Matt também pensará.

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Foi então que em 2011 Mark Waid colocou sua própria visão no nosso amigo de Chifres.

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O Demolidor de Waid é diferente na medida certa, não é mais um noir padrão sobre um herói à espreita nas sombras, na verdade, é exatamente o oposto. A arte de Chris Samnee transmite que estamos em uma era diferente. Para Matt tudo está perfeito, pela primeira vez ele tenta criar uma nova vida para si mesmo em Nova Iorque e, eventualmente, San Francisco.

Murdock decidiu por si mesmo ter uma visão mais positiva sobre viver, e tenta espalhar a sua nova atitude pela cidade, encontrado problemas reais da sociedade que refletem o antigo Murdock e seu longo sofrimento associado a seu melhor amigo Foggy Nelson, que é o único a estranhar a mudança de visão de Matt, tanto a nível profissional quanto pessoal. Vemos a amizade dos dois em outro nível, Murdock tenta ajudar Foggy após seu quadro de saúde piorar, em cenas simples e tocantes.

O mundo já está convencido de que Matt Murdock é o Demolidor, e isso gera momentos muito divertidos, apesar de seus apelos tentando evitar tudo, e isso definitivamente torna as coisas difíceis para exercer sua profissão no juri.

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A fase de Waid se resume em: um personagem sombrio vivendo em um mundo sombrio tentando um novo começo brilhante.

imageComo o Batman, Demolidor sempre foi um personagem sombrio, capaz de se esconder dos seus problemas pessoais nos becos e libertar seus próprios demônios ao punir brutalmente aqueles que mereciam. As coisas mudaram agora que temos um herói mais pra cima, e todo mundo sabe sua verdadeira identidade. É difícil para ele se agarrar às sombras novamente, ele tem no passado seus atos heroicos e vida pessoal arruinados. É diferente ver Murdock abraçar o seu alter ego ao invés de usá-lo como um lugar para se esconder de seus problemas reais, muda tudo que conhecemos.

 

“A sua verdadeira natureza tem falhas, e ele tem que lidar com elas” 

Matt Murdock não é rico como o Homem de Ferro, ele não é um símbolo nacional como Capitão América, nem é um espião internacional, apesar de ser amigo de vários desses. Ele é filho de um pobre boxeador, um garoto religioso que perdeu a visão em um ato de bravura, se esforçou ao máximo na faculdade de direito, colocou uma mascara para fazer de seu bairro um lugar melhor.

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É impressionante como o roteirista trabalha aqui, parece que o mundo que rodeia Matt é formado por leitores antigos, querendo puxar o Demolidor para as sombras, Matt leva a culpa pelas coisas ruins que acontecem, mesmo que ele não tenha diretamente a culpa. Waid tenta levá-lo para baixo jogá-lo em uma estrada escura. Matt está tentando deixar-se fora disso tudo, para os crimes que não cometeu e da dor de seu estilo de vida, que acaba afetando outros que são próximos a ele. Ao invés de se deixar levar, ele tenta ser feliz e ainda ter um relacionamento com uma mulher que até agora não se transformou em uma fraqueza do Demolidor. É comum dizer que toda Mulher que se apaixona por Matt sempre acaba na pior, mas aqui ela se torna um ponto positivo em sua vida.

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Influência positiva

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alacbqseggzev6mvwnkeFalando da vida amorosa do Demolidor, Waid apresenta Kirstin McDuffie, uma garota que parece ser igual a ele em uma variedade de níveis. Ela pode não ser muito boa em correr sobre telhados, mas ela tem habilidades em seu próprio mundinho. É uma advogada muito talentosa que ajuda ele em tudo, inclusive a se mudar para San Francisco, algo muito importante para a Nelson & Murdock. Kirstin acaba desempenhando um papel crucial para ajudar o nosso amigo cego a se orientar. Ela também é alguém de confiança e sabe lidar com o emocional de Matt em momentos de necessidade, brincando com suas condições e fazendo aquele espaço ser algo aconchegante e divertido.

 

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Você de novo!!!

Uma coisa que ficava meio capenga nas HQs recentes do Demolidor, era quase sempre ter os mesmos vilões, uma vez ou outra algo se alterava, mas nunca ficava tão dinâmico quanto deveria.

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Mesmo quando parecia haver algo mais acontecendo, quase sempre me sentia como se as histórias fossem na direção de Wilson Fisk (Rei do Crime) ou alguém da sua família, causando algum tipo de dor ao DD. Nos volumes de Waid com o Demolidor algo que continuava a atormentá-lo era sua identidade secreta sendo revelada nos tabloides. Apesar desse enredo ser o tipico enlatado, se soube utilizá-lo sem realmente perder o foco da aventura, Waid, trouxe alguns dos mesmos vilões de sempre, como Coruja e o Garra Sônica e até mesmo Killgrave (Homem Púrpura) voltando em histórias novas e criativas, em vez de caminhos velhos e monótonos, como o famigerado crime da semana, ele traz até o Toupeira sendo utilizado de forma sem igual. Além disso, Waid encontra maneiras de trazer outros vilões do universo da Marvel, vilões de Classe C do Homem-Aranha Como o Mancha, Mega Organizações do Crime e participações muito bem vindas  como a presença do Surfista e dos grandes Escoteiros Mirins (esse arco foi demais).  Essas ideias dão novos e interessantes desafios para Demolidor e uma boa sacudida na fórmula habitual.

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A mudança Artística e Visual

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A arte das versões anteriores do Demolidor foram sempre Tristes e Densas dando ao cômico uma sensação escura e sombria, até kevin Smith tentou alegrar esse lado da Marvel em sua fase.

Waid reestruturou todos os conceitos que ele queria passar, com sua visão de um “novo” Matt Murdock, procurando por um novo sopro de vida com atitudes positivas, nisso ele especificou que o visual deveria ser alegre e brilhante, a arte teve que mudar para um visual que é um equivalente à um estilo moderno da Era de Prata.

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Sinta-se como o Demolidor, só olhar essa imagem

Vemos as mudanças acontecendo durante os primeiros dois volumes de DD, Chris Samnee criou um novo mundo para Matt e Cia, que reflete a nova atitude de Murdock na vida. Criou também um estilo para passearmos pelo mundo do Demolidor um novo formato, no qual pudêssemos ver de forma única como é viver em uma HQ e como é ser o Demolidor. No primeiro ano Paolo Rivera e Marcos Martin foram acrescentando o seu próprio estilo e emoção para o título. No final, eu senti que está mistura de estilos junto com a positividade em um mundo caótico, vai ser de grande ajuda para atrair novos leitores.

Disposto a enfrentar o passado e seguir em frente

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Quando você calcula tudo que essa fase mudou em alguns anos, se depara com: escritor novo, nova arte, nova maneira de contar histórias e um personagem que mudou tanto como Matt Murdock. Ei galera!  Acabamos de ver uma nova receita para novos leitores, pedindo uma aprovação para ser acompanhada. Talvez em algum momento, volte para o material mais antigo mas até lá, fiquemos otimistas.

Um lado diferente de Matt é algo que não tem sido explorado à anos, mesmo tendo ótimas fases, nunca mudaram realmente o status do personagem que sempre ficou no passado e se apegou a ele.

Essa receita também nos fez enxergar o interior de um homem com um passado obscuro que está tentando seguir em frente com sua vida da maneira mais positiva que pode, enquanto ainda tenta proteger a todos com e sem a máscara, dando-nos um homem verdadeiramente sem medo.

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Posso dizer-lhes que, depois de ter relido tudo para escrever isso, dessa vez em edições físicas, (cortesia da Panini) no minimo posso dizer que a versão de Mark Waid com nosso amigo “audacioso” destaca-se muito em relação ao que outros já fizeram, só mudando aquela velha formula de um jeito que ninguém tentou antes, trazer o Demolidor de Stan lee e faze-lo funcionar. definitivamente sua essência está no respeito aos materiais mais velhos do personagem.

Honestamente eu gosto da retomada de Mark Waid em Demolidor, mais do que com qualquer outro escritor, digo isso por ter visto variações amplas do herói, só por essa versão sair do comum, sair da caixa, mudar seu Status, já é algo a ser pontuado como, unico e marcante.

Espero que você fã de quadrinhos, caso ainda não teve a oportunidade de ler essa magnifica fase vá logo dar seus saltos e verificar o quanto antes esses materiais. Que chegaram aqui pela Panini, no total de 11 Volumes. Caso esteja preocupado, não tenha medo, pense positivo, sempre tem um jeito de ler, por scans ou procurando em Lojas Online, vá logo meu caro, é uma boa maneira de começar a se aventurar na vida de Matt Murdock o Homem Sem Medo.

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I Love Mark Waid's Daredevil

About The Author

  • thewilltodeath

    Belo texto!