Quem se limita a pensar que o cinema foi apenas, em toda sua história, “pessoas com câmera na mão e uma ideia na cabeça”, sem qualquer influência do contexto histórico na qual está inserido, está puramente enganado.

Assim como na literatura e na pintura, o cinema também passou por movimentos e tendências denominadas: Movimentos Cinematográficos. Alguns deles são: Impressionismo Francês; Surrealismo; Montagem Soviética; Cinema Novo; Nova Hollywood; Dogma 95; Expressionismo Alemão; entre outros. Hoje, falaremos sobre o tão conhecido Expressionismo Alemão.

O Expressionismo surgiu como uma reação ao Impressionismo – movimento que produzia imagens vibrantes, com ênfase na luz e movimento. Ao invés disso, o Expressionismo trazia expressões cruas de emoções e mostrava a visão do artista em relação ao mundo. O movimento estava interessado em estabelecer a relação entre arte e sociedade, incluindo a pintura, teatro e cinema.

Com a economia instável por causa da guerra, o enfraquecimento de sua moeda, comprar filmes produzidos na Alemanha se tornou muito barato e o país, curiosamente, encorajou tais exportações de produções cinematográficas.

“Uma nova forma de cinema surge, com temas sombrios de suspense policial e mistério em um ambiente urbano, personagens bizarros e assustadores, uma distorção da imagem devido a uma excessiva dramaticidade tanto na atuação quanto na maquiagem e cenografia fantástica de recriação do imaginário humano.” 

Os filmes do Expressionismo Alemão, no aspecto fotográfico, possuíam linhas deformadas, forte uso de sombras, personalidades “deformadas”,  senso de desequilíbrio, ritmo lento etc. Listamos abaixo os principais filmes deste movimento:

O Gabinete do Doutor Caligari (1920, Robert Wiene).

Francis (Friedrich Feher) e o amigo Alan (Hans Heinrich von Twardowski) visitam o gabinete do Doutor Caligari (Werner Krauss), onde conhecem Cesare (Conrad Veidt), um homem sonâmbulo que diz a Alan que ele morrerá. Assim acontece e Alan acorda morto no dia seguinte, o que faz com que Francis suspeite de Cesare. Francis então começa a espionar o que o sonâmbulo faz com a ajuda da polícia. Para descobrir todos os mistérios, Francis acredita só haver uma solução: adentrar no misterioso gabinete do Doutor Caligari.

Metrópolis (1927, Fritz Lang).

Foi, na época, a mais cara produção até então filmada na Europa e é considerado por especialistas um dos grandes expoentes do Expressionismo Alemão e também foi uma obra-prima à frente do seu tempo, já que pode se dizer que continua “atual”.

Aurora (1927, F. W. Murnau).

Recebeu, em 1989, a classificação de significância histórica, estética e cultural pela Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos e foi selecionado para preservação pelo British Film Institute. Numa pesquisa feita entre críticos para este mesmo instituto, Aurora foi considerado o sétimo maior filme da história do cinema.

A Caixa de Pandora (1929, Georg Wilhelm Pabst).

Um dos mestres do cinemas silencioso alemão, G. W. Pabst, foi também um grande descobridor de atrizes talentosas (inclusive Greta Garbo). Talvez nenhuma de suas estrelas, tenha brilhado tanto ao ponto de se imortalizar num personagem, como a belíssima e enigmática Louise Brooks.

 

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Lucas Matias

Cinéfilo, diretor de cinema e autor do Instagram: @_ocinefilo