Fragmentado | Entendendo o Fim

AVISO AOS NAVEGANTES: Esta matéria terá spoilers do recente terror psicológico Fragmentado do diretor M. Night Shyamalan. Teje avisado.

Três garotas são sequestradas e mantidas em cativeiro por um cara com 23 personalidades (interpretado por James McAvoy). Enquanto desvendam aos poucos seu captor, precisam trabalhar numa forma de fugir ou sequer continuar coabitando com tantas pessoas em um só corpo.

Parecia uma premissa simples. Um filme que, a partir do conceito de múltipla personalidade, construiria tensão constante e assim nos manteria grudados na cadeira. Não deixa de ser assim, mas tem muito mais. Quem já assistiu (e se não assistiu ainda, pode ir ao cinema e voltar aqui depois, o filme vale a pena e, repito, tem spoilers aqui), e desconhece outro filme que falaremos à frente, com certeza ficou com a pulga atrás da orelha.

Admito, estava gostando muito do filme e do conceito do “Monstro” que Shyamalan construiu bem. Era até assimilável aquilo da “química do corpo se alterar só com o poder da mente”. Porém, me espantei quando o diretor (e mente por trás deste enredo) optou por um viés sobrenatural, em que o protagonista Kevin, em um momento de surto fica oscilando entre personalidades e finalmente assume a alcunha do “Monstro” que tanto falou no filme.

Nisso, ganha poderes, tais como super força, escalar paredes e até mesmo certa invulnerabilidade. Daí vê que Casey (a fantástica e lindíssima Anya Taylor-Joy) não merece morrer, e foge noite afora. Surreal, eu sei, e talvez um final no mínimo controverso não fosse a cena pós-crédito aqui inserida.

Compartilhando um universo

Na cena em questão, estamos em uma lanchonete, enquanto é noticiada a fuga do cuidador de zoológico Kevin Wendell, agora conhecido como “Horda” por suas tantas personalidades. Enquanto a câmera se move pelo cenário, uma mulher compara este caso a um cadeirante que foi preso há 15 anos, perguntando seu nome. Então se ouve “Mr. Glass” dito por ninguém menos que Bruce Willis. Isso mesmo, este filme é uma sequência de Corpo Fechado (2000).

Para quem não conhece, o filme tratava de um desastre de trem que surpreende os EUA ao deixar um sobrevivente completamente ileso, David Dunn (personagem de Bruce Willis). Enquanto busca explicações para o ocorrido e a extensão de seus recém descobertos poderes, conhece Elijah Price (Samuel L. Jackson), um cadeirante que em determinado momento se denomina Mr. Glass. Está selada aí a conexão.

É interessante ver como Shyamalan fez um filme de super-herói em uma época que não eram tão bem quistos e deu bastante certo, e agora está se enveredando pelo mesmo caminho, em um momento que filmes deste gênero estão extremamente em alta. Inclusive, o diretor deu a seguinte declaração:

“Eu amo esses personagens e esse universo. Todo o mundo faz filmes de quadrinhos agora. Naquela época, era algo totalmente novo. Lembro que quando fiz o filme, a Disney disse: ‘Histórias em quadrinhos? Não existe mercado para quadrinhos!’. Mas eles só fazem isso agora! Foi uma conversa hilária. Eu lhes disse: ‘Talvez estejam certos. Talvez ninguém irá ver filmes de quadrinhos’. E responderam: ‘Só aquelas pessoas que vão a convençõezinhas que gostam de quadrinhos’. Mas retruquei: ‘Eu gosto de quadrinhos!’.”

E como será a seguir

Aos que, gostam de ambos os filmes, fiquem sossegados. Até o presente momento, Fragmentado (2017) já faturou cerca de 250 milhões de dólares, mais ou menos 25 vezes seu orçamento original, e assim garantiu continuação. M. Night já declarou estar trabalhando no roteiro de Fragmentado 2, que também deve servir melhor de crossover com Corpo Fechado.

Pelo que vejo, há uma excelente oportunidade de universo compartilhado em mãos, e o timing não poderia estar mais certo. A título de curiosidade, o personagem de McAvoy, Kevin, estava originalmente no roteiro de Corpo Fechado. Em seu roteiro original, Elijah (Jackson) avisaria que Kevin é um super-herói da vida real, mas haveria uma briga na estação de trem e as duas cenas ocorreriam de forma simultânea. Mas por ser muito “elétrico”, nas palavras do próprio Shyamalan, foi retirado do roteiro final, só voltando às telas em um filme próprio, 17 anos depois.

Curioso para saber o que achamos de Fragmentado? Clique aqui e confira nossa crítica do filme. E você aí, também está ansioso para o Shyamalanverse? Acha que Kevin será um bom vilão? Ou acha que será só mais um filme mediano com reviravoltas contínuas? Compartilhe seus pensamentos e opiniões com a gente.

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