“Nesse negócio, o momento em que você toma partido
é quando você toma um tiro”

Que filme, senhoras e senhores. Que filme. Precisava começar a crítica assim, porque é importante ressaltar: este filme é bom pra c@r*lh#. Agora, vamos falar do filme em si.

Em Ritmo de Fuga (Baby Driver, no original) é o mais novo filme de Edgar Wright (Todo Mundo Quase Morto; Scott Pilgrim Contra o Mundo) e conta a história de Baby (Ansel Elgort, A Culpa é das Estrelas), um motorista de fuga para um grupo de assaltantes que faz tudo ouvindo música. E a música é ritmada de acordo com os eventos do filme.

E além do diretor, o elenco está de parabéns também. Kevin Spacey (House of Cards) faz Doc, o mandante dos assaltos. Entre os bandidos: Jon Bernthal (The Walking Dead), Jon Hamm (Mad Men), Eiza González (Um Drink no Inferno), Jamie Foxx (Django Livre). E Lily James (Cinderela) como Debora, o interesse amoroso do nosso não-tão-herói-assim. Falemos dessa aventura sincronizada (Se quiser entrar mais no clima, clique aqui e continue lendo o texto).

Track #1 – Como o filme foi concebido

Há 20 anos, um jovem Edgar Wright ouvia Bellbottoms, de The Jon Spencer Blues Explosion, e não conseguia deixar de imaginar uma perseguição de carro. Manteve essa ideia em mente, para um possível filme. Em 2011, Wright veio a dirigir um clipe de música: Blue Song, da banda Mint Royale, que inclusive aparece rapidamente no filme, em uma troca de canais. Apenas em 2016, mais firmado em Hollywood, foi capaz de fazer o filme que quis. E adivinha, a cena inicial do filme toca Bellbottoms e é quase que uma refilmagem do clipe de Blue Song. (Veja a cena inicial aqui)

Uma transposição de todas as ideias que teve pelos anos, Em Ritmo de Fuga não utiliza de computação gráfica, só constando efeitos práticos e movimentos coordenados segundo a música de antemão. Cada ator recebeu o roteiro junto às músicas que tocariam junto, e John Hamm e Ansel Elgort tiveram aulas de “direção de fuga”, ainda que alguns veículos fossem controlados remotamente.

Quentin Tarantino (Diretor de Bastardos Inglórios e Kill Bill) disse a Edgar Wright para desistir da ideia de músicas previamente estabelecidos, mas o diretor bateu o pé firme e a Sony Pictures foi gentil e sagaz o bastante para, felizmente, conseguir todas. Bateu o pé firme ainda para manter algumas cenas que o estúdio queria retirar, como a primeira cena de Baby dançando na rua e a fuga a pé, e enfim, o filme saiu exatamente como ele queria. Sua visão foi essa coisa linda chamada Em Ritmo de Fuga.

Track #2 – Sincronia e qualidade

Sendo editor de vídeo, sincronia é algo que me agrada. Uma mudança de plano enquanto o ritmo muda, uma batida mais alta enquanto algo acontece, um solo em momentos de adrenalina. Então, para mim, foi um prato cheio. Como disse antes, tudo é sincronizado. Batidas de mão, tiros, alguns movimentos de boca e passos. Tudo, tudo. E isso gera uma fluidez de ritmo narrativo, porque entretém enquanto a história está rolando, e às vezes você sequer percebe, mas está vidrado naquele “clipe musical” contando uma história de ação.

Palavra-chave essa, inclusive, ritmo. Os três atos do filme casam perfeitamente. Há uma ação desenfreada, porém, momentos para descansar. Flashbacks muito bem colocados, em momentos que os personagens verdadeiramente param para relembrar algo. Isso não consegue se tornar chato, e mantém seu ânimo lá em cima durante essa tão bem usada 1 hora e 40 minutos de filme.

Track #3 – Enredo e personagens

O enredo pode parecer bem comum. Um criminoso que se apaixona e quer largar essa vida, e no meio um monte de ação. Mas o que é feito de comum não tem nada. Porque mesmo cheio de foreshadowing (leia-se antecipação sutil do que acontecerá ao longo do filme), não é nada previsível. Fugindo dos clichês mais simples, como fugas surreais, e abraçando outros (protagonista de bom coração no mundo do crime, faíscas e romance com a garçonete) como parte importante, torna-se diferente do que costumamos ver no cinema, e do melhor jeito possível.

E sobre os personagens, Ansel dá um show como Baby (Sério, não imaginei que ele fosse bom ator). Foxx e Spacey são os destaques, e Hamm manda super bem. Elogiarei também a química do casal principal, você crê de cara que eles se conectaram e apaixonaram, sem fazer perguntas.

Individualmente, cada personagem tem o seu papel e, se parar para pensar, são todos até bem desenvolvidos. Ainda que não tenham flashbacks contando cada uma de suas histórias, algumas menções, coisas ao fundo, entre outros, acabam revelando bastante coisa para personagens que somem durante partes grandes do filme, afinal, não são o fio condutor da trama.

Considerações finais

Sinceramente, não tenho do que reclamar. Em Ritmo de Fuga é um filme excelente e muito provavelmente o melhor filme que Edgar Wright já fez (Ao menos, na minha humilde opinião). Elenco, trilha, história perfeitos, e a obra final é um espetáculo, acho que é a melhor palavra para definir.

O filme está sendo muito bem recebido lá fora, e é o primeiro filme (Desconsiderando a Trilogia Cornetto, que são filmes desconexos) que Wright cogita fazer uma continuação/spinoff. Cruzo os dedos para que haja sim outro filme. Quero ver mais de Baby dirigindo em um carro que não pode pagar, só com sua música e o som do vento no capô.

Assistam. Vale muito a pena. Em Ritmo de Fuga estreia dia 27 de julho em salas por todo o Brasil. Confere lá e nos diga o que achou. B-A-B-Y, Baby…