Caros amigos,

Os textos abaixo compõem a primeira parte de um conjunto que remonta a história do universo, desde a sua origem, explorando a criação, até os dias atuais, deixando o leitor com o conhecimento de tudo o que ocorre antes do arco de ”Abismo: Quando os Anjos Caem”.

Do Princípio

No início, quando não havia o tempo, existia o vazio, e nele habitavam os espectros Dhüm, o Usuário de Sombras e Heim, a Geradora de Luz. Ambos vagavam aleatórios no vácuo quando, em um momento, se aproximaram ao ponto de colidirem, gerando uma explosão de energia jamais vista desde então. Desse impacto, tão poderoso que quebrou a parede da realidade do vazio, surgiu Dhümheim, o chamado Agente da Criação, que possuía esse título por ter gerado incontáveis rochas logo após a explosão e ter tido a iniciativa de criar matéria física, compondo o grande vazio, chamado agora, já composto de algo físico, de universo.

Nota1: Dhüm e Heim não são os significados de “Usuário de Sombras” e “Geradora de Luz”, respectivamente. São apenas títulos dados à eles para esse conto. Assim sendo, embora essas duas palavras juntas formem o nome do Agente da Criação, que na língua comum significa “Natureza”, ambas não possuem esse mesmo significado.

Da Criação Física

Embora não houvesse a noção de tempo, é sabido que, do momento da explosão até a criação das primeiras estrelas, se passaram longos períodos. E embora já tivesse tido a iniciativa de criar, Dhümheim passou muito desses períodos observando a imensidão negra e as milhares de rochas vagantes até finalmente decidir começar seu trabalho. Então, em uma região aleatória do universo, sua obra foi iniciada.

Seu primeiro trabalho foi uma gigantesca esfera feita de uma pequena parte de sua própria luz e de nome Lu’Hx, pois essa é a tradução literal da palavra luz se traduzida da língua de Dhümheim para a língua comum. Em seguida o Agente da Criação reuniu uma pequena parte das rochas vagantes e as colocou em torno de Lu’Hx, formando mil trezentos e trinta anéis de pedras ao redor da estrela. Até aquele momento, foi somente isso o que houve.

Nota2: Mil trezentos e trinta anéis não representa definitivamente nada. Foi apenas um número aleatório escolhido durante a escrita

Muitos outros longos períodos se passaram até que o Agente da Criação voltasse para sua obra, mas decidido a não tomar parte diretamente, ele criou quatro espíritos chamados de Elementais. E à eles foi dado o poder de gerar o físico, dando continuidade ao que o próprio Agente da Criação havia começado.

Da Criação dos Primeiros Espíritos Elementais

Primeiro surgiu Ea’Hreim, o Agente construtor da Terra. Ele uniu as milhares de rochas vagantes em torno de Lu’Hx e formou treze grandes aglomerados que, depois de aproximados, adquiriram a gravidade, que fez com que, embora soltas, permanecessem unidas. Com isso, os aglomerados passaram a girar rapidamente em torno da estrela, pois embora estivessem sendo atraídos para ela, cada um estava longe o suficiente para não se aproximar a ponto de serem destruídos. Estavam formados os primeiros planetas.

Em seguida surgiu Fir’Dhüm, o Agente Modelador do Fogo. Ele incandesceu as grandes rochas que formavam os aglomerados, deixando-as maleáveis e aderentes um ao outro. Agora, cada planeta era uma só rocha imensa, todas em imensa combustão. Ea’Hreim voltou e, por muitas eras, moldou as primeiras grandes montanhas dos planetas, pois Fir’Dhüm sempre despejava sua fervura de um ponto a outro das planícies, explodindo em imensos turbilhões de fogo através das veias do planeta tornando a rocha mais moldável e, com isso, dando lugar ao próximo passo da criação.

Da Origem da Lua de Abismo

Dentre as rochas que formavam os anéis de Lu’Hx, existiam imensas pedras que podiam chegar a um terço do tamanho de um planeta como Abismo, por exemplo. Em relação a outros planetas distantes, essas rochas poderiam ser maiores.

A cada milhares de anos, centenas dessas rochas se desprendiam dos anéis de Lu’Hx, partindo sem rumo através do universo, onde passavam milhares de anos viajando até acabarem em colisão com outras rochas e até mesmo planetas. Foi em um desses momentos que uma rocha com pouco menos da metade do tamanho de Abismo entrou em rota de colisão com o planeta e, cada vez que se aproximava, aumentava sua velocidade ao ser puxado pela força gravitacional do planeta. Inevitavelmente, ambos acabaram entrando em colisão.

Embora a rocha fosse muito dura e Abismo já tivesse a divisão de terra, água e até mesmo algumas partes maleáveis com lava, essa colisão ocorreu em uma região bem mais acima da linha central do planeta, que ainda era seca e onde a terra era mais dura, o que deixou o planeta apenas um pouco afetado. O impacto deu início ao movimento de rotação do planeta, começando assim a regulação de horas iguais do dia e noite, com oito horas cada. A rocha, por sua vez, se desfez em uma rocha menor e milhares de pedaços pequenos, dos quais, uma grande parte caiu no planeta como meteoritos enquanto o resto voltou para o espaço junto com a rocha menor. Algumas rochas pertencentes à crosta de Abismo, que se desprenderam no impacto, partiram para o espaço junto com a rocha menor e, em cerca de dois anos da contagem regular, se fundiram à rocha menor, criando um corpo esférico fervente, que permaneceu a centenas de milhares de quilômetros de Abismo, onde ficou até esfriar.

Depois de frio, esse corpo esférico tornou-se uma rocha cinzenta e morta, onde nada havia. Por conta de estar em uma posição considerada muito próxima de Abismo, esse corpo orbital passou a interferir de certa forma na gravidade do planeta e, posteriormente, em suas marés.

Nota3: O nome desse corpo orbital na língua da criação é Mun, que na língua comum significa Lua.

Da Criação dos Segundos Espíritos Elementais

Depois de passado esse evento de origem do corpo natural de Abismo, surgiu Win’Dhüm, o Agente da Conservação do Vento. Ele esfriou a superfície dos planetas com seu sopro, deixando-a rígida e um pouco estável. Nas alturas Win’Dhum se tornou superior. Devido ao tempo recente com que o planeta havia sido feito, ele se movimentava a velocidades que deixariam super tempestades atuais de Abismo com a condição de leves brisas.

Por último, chegando ao planeta no interior de rochas que vinham do espaço, surgiu Wa’Hreim, o Agente Reprodutor da Água. Ele entrava no planeta em pequenas quantidades, mas depois de milhares de anos de quedas interruptas de meteoros, essas pequenas quantidades começaram a se acumular como poças que, posteriormente, transformaram-se em rios, lagos e oceanos congelados.

Concentrado abaixo da superfície de cada um dos treze planetas, Wa’Hreim ficou adormecido em uma de suas formas pelo frio do universo por muitos períodos até que Fir’Dhüm, ao ver que muito da ante-criação havia sido feito, decidiu “ligar” Lu’Hx. Agora, além de iluminar, a estrela também queimava, espalhando calor até onde seu poder alcançasse. Foi nesse momento que, no terceiro planeta, por estar em uma região correta em relação à estrela, Wa’Hreim alcançou sua forma líquida, criando de fato as condições exatas para a vida naquele planeta que agora, além de ser favorável ao seu surgimento, possuía a capacidade para sustentá-la.

Nota4: Por ser o espírito mais próximo de Dhümheim e, como dito, carregar muito da essência da criação, onde Wa’Hreim não está presente não pode haver vida. Ou seja, não pode haver vida sem água.

Nota5: Wa’Hreim chegou também em outros planetas, mas por conta da posição do terceiro planeta em relação à Lu’Hx, somente nele a água tornou-se líquida, permitindo o início da vida.

Nota6: Desde que Lu’Hx começou a queimar, o conjunto de planetas que giram ao seu redor é chamado de Sistema Luxiar. Esse nome também pode ser atribuído à tudo o que está contido permanentemente, ou por um longo período, dentro do círculo gravitacional desde o primeiro até o último planeta.

Da Origem das Estrelas

Após ganhar luz e calor, Lu’Hx começou, por conta disso, a afastar as rochas que compunham seus mil trezentos e trinta anéis. E, embora se afastassem, as esferas carregaram consigo uma parte da luminosidade de Lu’Hx. Então, assim que se afastaram, foram passando aquela luminosidade para outras esferas semelhantes em todo o universo. Na língua da criação essas pedras receberam o nome de Sh’Tá, que na língua comum significa estrela.

Do Surgimento da Morte

Solitário em seus pensamentos, o Agente da Criação pensou sobre a possível existência de algo que pudesse opinar em seus futuros trabalhos no universo. Foi enquanto observava Lu’Hx que o espectro surgiu. Da sombra de Dhümheim gerada pela luz de Lu’Hx sobre ele, ascendeu uma figura negra, vinda da mente criativa do próprio Agente da Criação. A ela foi dado o nome de Dooms’Iel, que na língua comum significa morte. Naquele momento ela apenas observou sem interferir em nada.

 

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