Doutor Estranho, o mago supremo da Marvel ganha seu primeiro filme, com um universo místico, fantástico, piadas cansativas e sem graças.

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Nos quadrinhos, criado por Stan Lee e Steve Ditko  em 1963, o Doutor Stephen Strange (Benedict Cumberbatch) é um cirurgião arrogante que, depois de perder o uso das mãos em um acidente de carro, parte em busca de uma cura e acaba encontrando a redenção como o maior mago do universo Marvel.O filme em si é muito bom, mas peca no humor e nas piadas em situações sérias. No momento que pesa mais a trama, a Marvel faz questão de nos lembrar de que aquilo é um filme leve e nos enfia uma piada sem graça goela abaixo.

O que poderia ser uma produção séria de super-herói acaba por se tornar um filme forçadamente infantil, quebrando o ritmo de algumas cenas. Se tirassem todas as piadas forçadas e deixassem o espectador realmente se envolver, talvez fosse um dos melhores filmes desse ano, mas acaba que Doutor Estranho se torna apenas um dos melhores filmes de super-heróis do ano.

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A respeito das atuações, Benedict Cumberbatch nos entrega um Doutor Estranho de respeito, com toda a sua arrogância, prepotência e frases de efeito, talvez um dos melhores acertos de elenco da Marvel desde Robert Downey Jr. (Homem de Ferro).Outra atuação que merece destaque é a de Tilda Swinton , que interpreta com uma suavidade inacreditável a Anciã, nos trazendo emoções diversas, quando achamos que sabemos de tudo sobre a personagem, somos apresentados a outros lados de sua personalidade.

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Já os demais, não chamam tanto a atenção, já que Mads Mikkelsen (Kaecillius), vilão do filme, é totalmente mal aproveitado, o que é um desperdício tão grande ter um ator desse calibre e não utiliza-lo como deveria.

Sobre os efeitos especiais, são os melhores desse ano, quando somos apresentados para as outras dimensões, acabamos por entrar em uma viagem lúdica e psicodélica, numa capa de álbum de alguma banda de rock progressivo dos anos 70 e acabamos por perceber que estamos vivenciando algo realmente mágico acontecer.

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Em relação à fidelidade com as HQs (que você pode conferir no post “O que esperar de Doutor Estranho”) algumas mudanças foram feitas por questões políticas e sociais, isso acabou pesando um pouco na história. Enquanto na HQ, Stephen Strange teve que enfrentar uma grande dificuldade sendo obrigado a  mostrar a sua força e perseverança em uma subida em uma montanha no Tibet, na adaptação cinematográfica ele simplesmente abre uma porta na cidade de Karma Taj e já está dentro do templo. No geral Doutor Estranho é um filme relativamente fiel aos quadrinhos.

Já o roteiro, além das piadas, possuí outros problemas, como alguns furos e perda de ritmo, mas não é nada que você precise se preocupar. Como um filme de origem, o roteiro consegue nos apresentar esse herói estranho e nos faz gostar do mesmo.A trilha sonora é composta por Michael Giacchino (Up, Altas Aventuras), que consegue conservar o velho rock progressivo, trazendo uma mistura de Deep Purple e The Doors.

Porém não é só de músicas originais que a trilha é composta, tendo até mesmo Pink Floyd, que é tocado em um momento do filme. Apesar dos altos e baixos, Doutor Estranho consegue ser um dos melhores filmes da Marvel, mas isso me deixa uma questão, até quando a “Fórmula Marvel” vai agradar o público?

Nota: 7,7

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