“E esta coisa desajeitada, selvagem, colorida e mágica que não possui começo,
não possui fim… isto aqui… eu acho que somos nós.”

Antes de qualquer coisa, quero falar. Sabe aquela série que você quer que todo mundo assista? Que você simplesmente assiste e diz “Uau, que coisa incrível, as pessoas precisam ver isso”. Que te encanta, surpreende, prende e semana após semana faz você voltar por mais, ansioso e animado por cada capítulo daquela história. Pois é, esta é uma daquelas vezes. Por isso, vou fazer este texto SEM SPOILERS por enquanto, para quem tem interesse em adentrar nessa maravilhosa representação do que é a vida. (Quando houver spoilers, avisarei de antemão)

Um aniversário. É impressionante parar para pensar em quantas pessoas podem nascer no mesmo dia. Em um determinado momento, bum, todos estão neste mundão. A série This Is Us gira em torno destes quatro protagonistas que dividem o mesmo aniversário no dia 31 de Agosto. Jack, Randall, Kevin e Kate. Cada qual com sua vida, e cada vida exibida em tela.

Jack (Milo Ventimiglia, Heroes) está prestes a celebrar seu aniversário quando sua esposa Rebecca (Mandy Moore, Um Amor para Recordar) entra em trabalho de parto. Randall (Sterling K. Brown, American Crime Story) trabalha numa grande empresa à procura do paradeiro de seu pai biológico, Kevin (Justin Hartley, Smallville) é um ator conhecido pela sitcom O Babá que está insatisfeito com seu trabalho, e Kate (Chrissy Metz, American Horror Story) é uma mulher com problemas de obesidade.

Seu episódio piloto, que mostra todos acima completando 36 anos de idade, já evidencia o quanto a data não só representa seu aniversário, como o dia em que todas as suas vidas mudam. E como é fantástico a verossimilhança com a realidade, enquanto assiste você só consegue pensar o quanto isso poderia ocorrer com um amigo seu ou o quanto você já esteve em situação parecida. E além disso, personagens fascinantes são mostrados de cara, te abrindo o interesse para mais e mais. Só digo isso, você precisa ver ao menos o episódio piloto. Porque ele já determina se a série é ou não para você. E se for, é uma gratíssima surpresa, porque dali em diante é só ladeira acima.

This is… Construção de personalidade

Engraçado como funciona o drama. Quero dizer, nem tão engraçado. É uma história geralmente construída de forma a te fazer sentir a dificuldade, o pesar. É um tipo de entretenimento focado em maus bocados, geralmente pé no chão, em suma ações da vida comum retratadas de forma grave e intensa. Nunca fui muito fã de dramas, salvo poucos que guardo comigo como O Juíz (2014) e mais alguns. Sempre achei algo muito denso, quiçá desnecessariamente entristecedor. Me surpreende o quanto This Is Us me fez olhar para isso de uma forma diferente.

Dan Fogelman, responsável pela maravilhosa Galavant, é o criador e principal mente responsável por trás desta obra de arte. Ele já declarou há quanto tempo quer realizá-la e podemos dizer que valeu a pena, vide sua idealização em cada personagem.

A principal característica de seus personagens é, ao meu ver, que eles são falhos (Com exceção talvez de Jack, que falarei mais para frente). Quer sejam seus protagonistas acima citados, ou William (Ron Cephas Jones, Mr. Robot), que pode ter a personalidade que for, sempre vai ter o peso de ter abandonado o filho há todos esses anos, Beth (Susan Kelechi Watson, Louie), uma ótima esposa, porém não perfeita. Não são só personagens, são pessoas. Do nosso cotidiano, de nossas vidas, de nosso mundo.

E essas pessoas ajudam a construir a personalidade da série em si. Que é…

AQUELE BOM E VELHO AVISO: DAQUI PARA FRENTE, ESTE TEXTO ESTARÁ RECHEADO DE SPOILER. CASO NÃO TENHO ASSISTIDO, LEIA POR SUA CONTA E RISCO.

This is… Uma história de família

Randall, Kevin e Kate são filhos de Jack e Rebecca.

Acho que este plot twist poderia ser o definitivo divisor de águas para determinar se a série vale a pena. Mas é de This Is Us que estamos falando e a série já conquista de início, com o belíssimo discurso de Jack no hospital, Dr. K e a história dos limões, a gritaria de Kevin no set, Randall na casa de William, os miniavisos de Kate na geladeira, uau, são tantas coisas… Explicar que na verdade se trata da história da família Pearson é só a cereja desse bolo tão gostoso.

A partir daí e dos tantos perrengues que essa família passa, nos flashbacks do passado com Jack e Rebecca, e no presente com o Grande Trio, faz-se um entretenimento catártico. Catarse é um sentimento de expurgação, emocional e espiritual, de problemas e aflições próprias. Ver estas pessoas lidando com suas dificuldades e conquistando ou batalhando pelo que merecem causa uma satisfação que age como recompensa para tudo o que vimos. Você se importa tanto que se sente parte do show. Isto dificilmente se atingiria com um gênero que não drama, um mérito que me fez ver a dramaticidade com outros olhos.

This is… Para rir, chorar e chorar de novo

Neste momento, já se sentindo parte daquele mundo, confraterniza-se com os sentimentos mostrados em tela. Parece que se está no sofá com eles enquanto contam histórias de família, por exemplo. Ou conversando com velhos amigos em uma videoconferência onde falam de como estão suas vidas. Se por um lado, é bom demais rir com eles, por outro…

Quero falar sobre o maior mote da série, e que enche a internet de especulações e suposições: A morte de Jack. No fim de seu segundo episódio, Rebecca visita a casa de Randall com seu marido Miguel (John Huertas, Castle), que detesto desde já, e nos episódios seguintes se confirma que Jack não está vivo há alguns anos.

A partir disso, muitos momentos extremamente tristes e comoventes se dão. Jack era um exemplo de pai e de marido, os flashbacks deixam isso estampado na cara, e sua vida e morte têm uma influência estupenda na vida de seus meninos. O problema surge na hora da entrega, porque como eu havia dito, o percurso feito ao longo da temporada merecia uma recompensa e os produtores da série decidiram apenas postergar para mais alguma(s) temporada(s). Não que isso afete o desempenho da série, mas poxa, merecíamos saber como e quando Jack morreu. Entretanto, seguindo as palavras do próprio intérprete Milo Ventimiglia: “Parem de focar em como Jack morreu, comecem a focar em como Jack viveu.” E como ele viveu, de fato.

This is… Considerações finais

Peço desculpas desde já pelo texto grande, mas não é o tipo de obra que se tenha pouca a dizer. Termino com muito orgulho o melhor drama que a televisão aberta já viu, e sem dúvidas uma das melhores séries de 2016. O engrandecimento e amadurecimento que This Is Us proporciona e as tantas emoções que ela passa são fora de série.

Ademais, eu necessito elogiar o elenco. Todo o elenco. Todos os atores caíram como uma luva e merecem uma salva de palmas cada um. Nunca vi Milo tão bom quanto estava e nem sabia que Justin Hartley podia atuar também. Também foi ótimo ouvir de novo Mandy Moore cantando, e espero ansiosamente por um dueto com sua filha de cena, Chrissy. Ah, e vamos ovacionar de pé Sterling K. Brown, o melhor ator da série, que varia do cômico ao trágico brilhantemente, principalmente em Memphis (provavelmente o melhor episódio de toda a série).

Graças a Rao, a qualidade de This Is Us é consenso geral. A série foi um fenômeno de audiência e de crítica nos Estados Unidos, sendo indicada a melhor série no Globo de Ouro e já renovada para mais duas temporadas, ou seja, teremos muito mais dos Pearson por pelo menos mais 2 anos. Então, já vão preparando os lencinhos, porque certeza que ainda tem muita lágrima a caminho. E você, o que achou de This Is Us? Também achou que a série merecia mais o Globo que Westworld? Compartilhe o que achou conosco.

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Eduardo Bastos

Não conheci o mundo nerd por querer!