The Babadook é um filme psicologicamente brilhante. Ele trás o medo sob uma nova óptica e nos faz tremer até muito depois de tudo ter acabado. Sendo este, um filme de terror psicológico, o diretor Jennifer Kent, consegue trabalhar muito bem os elementos e a simbologia que o monstro representa.

Tudo começou com a morte de Oskar, que levava Amelia ao hospital para dar luz ao primeiro filho deles, Samuel. Após sete anos, Amelia, apesar de esforçada, ainda não conseguiu superar a morte do marido. E é a partir daí, que tudo começa. Seu filho está naquela fase completamente normal de temer seu armário, e acreditar em monstros debaixo da sua cama. Seja pelo incentivo de desenhos ou algumas das histórias que sua mãe costumava a ler antes de dormir. Quando certo dia, a mãe lhe deixa escolher um livro para ler, e ele trás o Mister Babadook, as coisas parecem começar a se desencadear. Nele, encontramos vários elementos de terror, como o próprio Babadook, e algumas rimas. O mais interessante, é quando nele diz: DEIXE-ME ENTRAR, e; EU APOSTAREI COM VOCÊ, FAREI UMA APOSTA CONTIGO, QUANTO MAIS ME EVITAR, MAIS FORTE VOU FICAR. VOCÊ COMEÇA A MUDAR, QUANDO EU ENTRO, O BABADOOK CRESCENDO, BEM SOB SUA PELE. OH VAMOS VER, VENHA VER. O QUE ESTÁ POR BAIXO.

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Não porque o livro é amaldiçoado, ou coisa do tipo, mas por eles encontrarem um nome para um medo ou para algum problema que os consumia. E quando as coisas ganham nome, elas passam a ser mais fortes. Podemos ver claramente nessas rimas, a representação do medo. Algo que está por dentro, e que muitas vezes reagimos e nos transformamos quando estamos tomados por esse sentimento. Ficamos frágeis e muitas vezes fora de controle. Então podemos ver esse monstro sob duas perspectivas; a do Samuel, que para ele, é um monstro no armário, pois ele associou mais a imagem, do que ao sentido figurado que ela poderia representar, as ilustrações do monstro se erguendo sobre um garoto na cama e etc. E para a mãe, Amelia, que é o trauma daquele dia do acidente, e toda a solidão do marido que teve que conviver. Podemos observar isso quando Amelia não admite quando as pessoas tocam no nome do Oskar.

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Um fato sobre isso é que nada havia sido superado. É como se fingisse para si mesma, ao invés de realmente fazer, um artífice que nossa mente cria quando não queremos ou quando não conseguimos lidar com certas emoções. Também quando observou o casal namorando no carro do estacionamento, de uma maneira triste e saudosa. Além disso, não estava dando conta do seu filho. A vida conturbada deles, e a depressão da mãe o afetavam de maneiras subconscientes e indiretas. Samuel, apesar de ser uma criança, tinha uma forte pureza no seu amor para com sua mãe, e, se talvez não fosse por isso, todos estariam perdidos. É lindo como ele se portar ao se demonstrar preocupado com ela, e todo aquele cuidado misturado com a uma fértil imaginação infantil. Quando ele diz “NÃO O DEIXE ENTRAR”, significa não se deixe subjugar, seja lá pelo que for que esteja a afetando. Não deixar que o medo e o trauma tome conta dela, bem sob sua pele. Percebemos isso mais notoriamente, quando Amelia possuída, agarra Samuel pelo pescoço numa tentativa de asfixiar, e ele a acaricia com suas mãozinhas, então ela o solta como se se recobrasse a consciência por um lapso de instante, e ele diz para deixá-lo sair agora, então ela vomita sangue, como se o expulsasse do seu corpo.

Por fim, uma das coisas que mais chamou atenção nesse filme, foi o final. De certa forma, poderíamos dizer que foi realista, pois, ao final de toda história, Amelia não consegue superar o medo ou o trauma, e sim, passa a dominar. Acredito que seja o que acontece com todos nós. Não passamos de uma hora para outra a superar algo que está conosco a tanto tempo, primeiro dominamos (alguns realmente param aí de progredir), e depois superamos.

Toda simbologia bem trabalhada, com elementos de terror e cenas bem significativas.

A trilha sonora bem discreta e que nos fazem inclinar na cadeira levantando todo o suspense prometido, e colocada de maneira bem peculiar, onde se encerra com o barulho da tampa de lixo sendo fechada por Amelia, entre outras que notamos nos pequenos detalhes que enriquecem o filme. A atuação de Noah Wiseman, apesar da tenra idade, e Essie Davis são de surpreendentemente arrepiantes.

Então, o que o Mister Babadook representa para você?

Titulo original: The Babadook

Direção: Jennifer Kent

Roteiro: Jennifer Kent

Ano: 2014

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About The Author

Escritor, apaixonado. Pequeno escorpião. Viciado em livros e em Tolkien. Amante da lua nas madrugadas de insônia.

  • Luan Santos

    Filme excelente. Vende um terror psicológico – e realmente o é -, mas a verdadeira história por trás dos eventos paranormais é sobre uma mulher que, ao perder o marido no dia do nascimento do filho, se viu sozinha, sobrecarregada, tendo que cuidar da criança que, inconscientemente, ela culpa pela morte do marido. Babadook é uma incrível metáfora sobre depressão e tristeza.
    Parabéns pela critica Yan, muito boa. Sucesso!