“Eu acredito na verdade, mas eu sou fã da justiça”

Finalmente, temos a culminação do popularmente batizado como “Universo Estendido da DC”. Iniciado em 2013, com Homem de Aço; seguido de Batman vs Superman (2016), Esquadrão Suicida (2016) vamos esquecer esse e o recente Mulher-Maravilha;  os heróis vão se reunir em Liga da Justiça. Mas e aí, esses 4 anos de espera compensaram? (Para os leitores ávidos de quadrinhos e os telespectadores do desenho, mais ainda) Descubra nos parágrafos a seguir.

A cena inicial do filme já mostra uma mudança drástica de tom. Seguindo muito mais a vibe oitentista dos filmes de Christopher Reeve, e até mais próximo ao filme da princesa amazona, a cena mostra um Superman alegre, interagindo com aqueles que salva, o Homem do Amanhã. Nem um rosto de CG pós-bigode conseguiu estragar essa cena. (Entendedores entenderão.)

Daí o filme demonstra como o mundo ficou após a morte do filho de Krypton, enquanto criaturas insetoides começam uma onda de ataques por Metrópolis e Gotham, indicando uma invasão, e é aí que a Liga deve se reunir. Batman e Mulher-Maravilha então partem atrás dos recém-descobertos Flash, Ciborgue e Aquaman, para uni-los e salvar a Terra; o clássico arroz e feijão de equipes de super-herói.

Em nome da verdade… Snyder vs Whedon

Convenhamos, essa era uma incógnita que todos queríamos saber. Desde que o diretor Zack Snyder foi afastado por problemas familiares bem no final da produção e Joss Whedon (diretor dos 2 primeiros Vingadores) assumiu o leme, nos perguntávamos quanto de cada um estava lá. Como seria. O que isso mudaria no filme. E deixo claro, é um filme de Snyder. As cenas que Whedon dirigiu dá pra contar nos dedos e se nota a diferença na tela, e no bigode removido de Henry Cavill (Sério, tentem não se incomodar com isso).

O que Joss Whedon fez se resume a adicionar algumas piadas (Notei muitas piadas de Bruce Wayne e algumas do Aquaman) e mudar partes da visão do filme. Como algumas alterações em um diálogo entre Lois Lane e Clark, algumas cenas a mais do Super-Escoteiro, entre outros. A visão dos dois pode não casar perfeitamente, mas não é nada mal de se ver. Com certeza, gostaria mais de ver a forma de Whedon contar histórias com o visual de Snyder, aí sim seria perfeito.

Quanto ao filme como um todo, o escopo mais heroico contribuiu um monte para se sentir o espírito da Liga da Justiça “raiz”. Ainda mais quando isso foi tão bem distribuído entre seus personagens, suas reações e interações. Isso só virou defeito quando houve acúmulo de tramas paralelas, comento mais adiante.

Da justiça… — Personagens, eastereggs e tramas

Se torci o nariz quando anunciariam quem faria parte da Liga da Justiça? Barry Allen não é loiro? Jason Momoa é um brutamontes? Como assim, Ciborgue na Liga? (Sim, eu li N52, não quer dizer que eu concorde) E o elenco, os protagonistas e suas interações são fantásticos, na maior parte. O Barry Allen/Flash de Ezra Miller (As Vantagens de Ser Invisível) é o ponto alto do filme, hilário mesmo. O Aquaman de Momoa (Game of Thrones) ainda não me representa, mas está bem legal até. Enquanto a trindade manteve o que foi visto antes, o mais apagado fica sendo o Ciborgue de Ray Fisher (The Astronaut Wives Club), apesar da trama intrínseca à trama principal, fica apagado do restante, sendo esquecível.

Quanto aos eastereggs, “sou fã, quero service”. A destacar a trilha sonora, que contém as clássicas trilhas de Superman: O Filme (1978), de Batman (1989) e traz um tema para o Flash bem semelhante ao de sua série homônima de 2014. Os demais eastereggs estão por toda parte para os olhos mais atentos. Menções a pinguins explosivos, Batsinais e talvez uma participação de um certo herói verde (Vá para o cinema sem esperar muita coisa do Lanterna Verde, sério. É coisa de ‘piscou, perdeu’). Ah, e uma citação a um certo Darkseid. Mesmo sendo muitos, não ficou tudo jogado na sua cara o tempo todo, e funcionou bem assim.

As tramas paralelas são algo à parte. Não tanto quanto Batman vs Superman, Liga da Justiça ainda peca no excesso de tramas que servem de fio condutor para os próximos filmes. Cenas desnecessárias como Aquaman conversando com Mera sobre Atlanna (Só para estabelecer o filme dele ano que vem) e de Barry com o pai (Duas ótimas cenas, mas desnecessárias neste ponto da jornada). E este sanduíche de cenas acaba tornando a montagem do filme bem corrida. Apesar do visual em maioria lindo (Graças a Snyder), sua edição soa picotada, o que não atrapalha o decorrer, mas com certeza não ajuda. Cortes como o do Knightcrawler para os heróis na Batcaverna em seguida são quase de amador.

E do jeito americano… — O elo mais fraco

A pior parte do filme (tirando o ex-bigode de Cavill) sem dúvidas é o vilão. O Lobo da Estepe (Ciarán Hinds, Game of Thrones) é pessimamente construído. O vilão até tem uma motivação legal, montar um exército de parademônios e usar a força das Três Caixas-Maternas para ter retaliação contra os Novos Deuses. Mas não passa disso. A computação gráfica fica entre o mediano e o ruim, e o ator certamente não adiciona nada ao papel.

A parte boa de se ter um vilão desimportante foi podermos focar no salvamento. No heroísmo em si. Arrepiei até os pelos do mindinho quando Batman discursa para Flash salvar uma pessoa, foi exatamente a Liga da Justiça que cresci assistindo e lendo por alguns minutos. Eram de verdade heróis e não só vigilantes fantasiados que querem matar um com pais de mesmo nome.

Prejudicou um pouco o clímax e algumas lutas do Lobo da Estepe. No fim das contas, pareceu mais uma versão inteligente do Apocalypse do que o tio do temível Darkseid. Espero mesmo que, caso Darkseid apareça em alguma adaptação futura, não cometa os mesmo erros que seu parente. Entretanto, curti a forma como ele foi derrotado, acredito que fugiu do lugar comum no cenário atual de heróis.

Para o alto e avante! — Considerações finais e o que está por vir

Então, posso falar de algo bom, que nem todos amaram, mas conseguiu me comover, o Superman. Sem spoilers sobre sua volta, ainda que seja um retorno espetacular e quero rever essa cena assim que puder, o Homem do Amanhã volta como tem que ser: Um farol de esperança. Sua participação na batalha final foi de encher os olhos, e todas as suas demais cenas só me deram vontade de ver mais deste Superman. Foi um ponto alto do filme.

No geral, Liga da Justiça é um filme que sim, cumpre o básico, mas que seria bem melhor se não existisse Os Vingadores (2012) para botar os padrões lá no alto. Ao menos, é um claro passo na direção certa para a DC Comics nas telonas. Consegue deixar intrigado o suficiente para o futuro deste universo, e seus personagens são interessantes o suficiente para garantir meu lugar em seus filmes solos e de equipe. Ainda falta chão, mas este filme me dá esperança que a DC vai chegar lá. Até porque meus heróis favoritos estão na editora, e o maior deles tem esperança como bordão principal.

Sobre o futuro, farei uma matéria específica, mas vou sintetizar minha opinião. A Warner/DC vai querer adiantar o filme do Flash: Ponto de Ignição, com a recepção do Flash e, quem sabe, consertar alguns erros no caminho. Minha aposta em Liga da Justiça 2, caso aconteça, seria tendo como vilões a Legião do Mal ou a Liga da Injustiça, para fechar possível trilogia com Darkseid. E adianto que necessito de um filme bom dos Lanternas Verdes, do Flash, do Superman, talvez um do Batman. Em tempo, o que foi a cena final do Superman??? Achei que não veria isso nessa nova leva de filmes, como fiquei feliz por estar enganado.

About The Author

Eduardo Bastos

Não conheci o mundo nerd por querer!

  • Eduardo Bezerra da Silva

    Qual seria a cena final do Superman? A corrida?