“Quando se pode fazer o que eu posso, mas você não faz,
e aí as coisas ruins acontecem… elas acontecem por sua causa.”

Depois de 3 anos, e um último filme solo bem ruim, finalmente o Homem-Aranha está de volta às telonas. E mais importante, de volta para casa. Bem, mais ou menos. Para quem não sabe, a Sony Pictures que detém os direitos do personagem fez um acordo com a Marvel Studios para que o personagem integrasse o universo cinematográfico da Casa das Ideias.

Mas e aí, será que tivemos um filme digno? SIM! MIL VEZES SIM! Ainda que o produto final dessa parceria Sony/Marvel fosse uma incógnita, havia esperança, vista a elogiadíssima participação do herói em Capitão América: Guerra Civil, interpretado pelo jovem Tom Holland (O Impossível), que apesar da pouca idade, tem muito talento.

A história se passa 2 meses após os eventos de Guerra Civil e mostra o herói aracnídeo se adaptando à sua rotina de super-herói/amigão da vizinhança. Impedindo roubos, se jogando onde o céu arranha, salvando com sua teia, dando direções a senhoras que dão churros e tudo que é de direito de um super-herói (exceto entrar nos Vingadores). Até surgir o super-vilão Abutre, Adrian Toomes (interpretado por Michael Keaton, de Birdman e Batman: O Filme) e o herói ter que provar o seu valor.

Cartucho #1 – Voltando para a casa

Agora Peter Parker faz parte de um universo muito maior. E isso fica claro com o vídeo-diário no início, com as referências aos Vingadores, e, óbvio, com a participação do Homem de Ferro no longa. E não, ele não rouba o filme para si, não é “Homem de Ferro 4”. Posso até dizer que sua participação quase em íntegra está nos trailers. Talvez a tecnologia excessiva incomode, mas não compromete a qualidade em nada.

E com esse recomeço no universo maior, já em seu segundo reboot em 15 anos, evitaram seguir no que já foi estabelecido. Sua origem é contada, não mostrada. Nada de “Com grandes poderes, vêm grandes responsabilidades” ou morte de tio Ben. Tio Ben fica restrito a menções sutis no andar da carruagem, e seus valores refletidos em seu sobrinho.

E nessa onda de evitar o que já foi feito, acertaram bastante ao fazer um “filme de origem que não é de origem”. Já conhecemos o Homem-Aranha, de 5 filmes e muitos desenhos animados e histórias em quadrinhos atrás. Vê-lo já na ativa há alguns meses é o caminho certo, e funcionou muito bem. Dando mais espaço à história do vilão, aos demais personagens e ao enredo em si.

Cartucho #2 – Tia May, Ned Leeds e secundários

Outro belíssimo acerto desse filme foram seus personagens secundários (a maioria, pelo menos)! May Parker (Marisa Tomei) tem uma relação belíssima de camaradagem com o sobrinho, e espero ver mais no futuro. E ótimo que aproveitaram os comentários da internet sobre a idade e beleza da atriz para fazer humor com isso, brincar com isso.

No núcleo da escola, Ned Leeds (Jacob Batalon) age como o público, se questionando e recebendo informações com Peter, Liz Allan (Laura Harrier) também funciona bem, tendo química com Holland e não sendo só donzela e perigo, mas também companheira. E meu Deus, como os humoristas Hannibal Buress e Martin Starr estavam engraçados como professores.

A única ressalva que eu tenho é quanto a algumas mudanças. Flash Thompson (Tony Revolori) era pra ser o clássico bully valentão, mas quiseram dar uma modernizada, e, na minha opinião, saiu pela culatra. A escolha de Angourie Rice para ser Betty Brand me pareceu errônea, ainda mais com a atriz sendo idêntica à Gwen Stacy dos quadrinhos. E também uma reviravoltinha com a personagem de Zendaya, Michelle, no final. Mas acredito que nenhum desses incômodos que tive é capaz de estragar a excelente experiência que tive com esse filme.

Cartucho #3 – Os tantos vilões e eastereggs

O vilão central do filme é o Abutre, mas não se deixe enganar, o filme tem uma porrada de vilões secundários junto a ele. E dado o passado com Homem-Aranha 3 e Espetacular Homem-Aranha 2, deve se esperar um resultado desastroso… só que não. Há um equilíbrio muito bom entre os secundários que agem com o Abutre, os Shockers e o Consertador, e outros que somente fazem cameos, como o Gatuno e o Escorpião.

E sobre o vilão principal, devo dizer, é um dos melhores vilões que o MCU já apresentou (Ainda que não seja propriamente do MCU). Adrian Toomes tem todo o seu passado e motivação construídos, uma personalidade coerente e bem interpretada, imponência e destino dignos de sua contraparte quadrinística. Michael Keaton foi muito bem escalado, eu queria ver mais dele em outros filmes da Marvel.

Outra coisa em excesso que de forma alguma prejudica o filme, o tanto de eastereggs. Os do tio Ben citados anteriormente, o quadro do Comando Selvagem Morita (Capitão América: O Primeiro Vingador) na sala do diretor. As várias (VÁRIAS) referências aos filmes antigos do aracnídeo como desvio do planador e a cena do trem, e a cenas dos quadrinhos também. Até Miles Morales ganha citação (Preste atenção, é bem rápida).

Considerações finais e o que o futuro nos aguarda

Enfim, temos o melhor filme do teioso em 13 anos (Desde Homem-Aranha 2, de Sam Raimi). Uma película com praticamente tudo que até os fãs mais fervorosos pediam, Aranha piadista, ação foda, vilão bem construído, e correlação com os Vingadores. As duas últimas cenas ainda deixam uma vontade de quero-mais enorme, a penúltima faz ansiar pelo próximo Vingadores, e a última pela sequência do Aranha. As pós-créditos não acrescentam muito, mas podem muito bem ser vistas como pinceladas de filmes futuros (Alô, Sexteto Sinistro?).

E o que virá daqui para a frente? Teremos mais do Cabeça de Teia no Vingadores: Guerra Infinita no ano que vem, possivelmente com traje novo. Uma sequência agendada, segundo Tom Holland, para 2019. E spinoffs que podem ou não integrar o mesmo universo de Peter, Venom e Gata Negra & Sabre de Prata, também ano que vem.

Eu só sei que minha expectativa para estes acaba de ficar mais alta. Porque, se continuar desse jeito, respeitando a essência do personagem, o que faz dele ser quem é, o herói com o maior coração da Marvel, só há coisas boas a se esperar (Ainda mais com toda essa vibe John Hughes que casa perfeitamente com o tom). Dito isso, seja muito bem-vindo, Aranha!

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Eduardo Bastos

Não conheci o mundo nerd por querer!