Quais as reais chances de um filme onde, Matt Damon, um habilidoso arqueiro e mercenário, precisa enfrentar criaturas para proteger o antigo Império Chinês, ser um bom filme?

A resposta é: todas as chances possíveis!

Temos com “A Grande Muralha”, um exemplo claro de produção “pipocão”. Quando um filme, é feito para gerar receita tanto para os atores e estúdios. Em produções assim, não se existe pretensões de enormes bilheterias, só o necessário para pagar os custos da produção.

O problema desse estilo de filme, é que em muitos casos, a história, desenvolvimento de personagens e até mesmo atuações, não são as coisas mais maravilhosas do mundo. Por mais estranho que pareça, em partes, o filme de Zhang Yimou, não sofre com isso.

Barrados na Muralha

A trama gira entorno de um grupo de mercenários atrás de um certo pó negro (a pólvora), ele ouviram em rumores que traria riqueza e poder para quem o possuísse.  Após escaparem de uma emboscada feita por uma tribo local e serem atacados por uma criatura misteriosa, os únicos sobreviventes são os personagens de Matt Damon Pedro Pascal.

Para desenvolvimento de roteiro, os dois acabam indo parar na Grande Muralha e descobrem que a construção na verdade, é uma forma de defesa da China, não contra outras tribos humanas, mas sim de um exército colossal de criaturas similares à que os personagens principais haviam enfrentado.

Neste mesmo momento, de maneira corrida , o filme nos apresenta outros personagens importantes para a trama e também todo o seu plot. E infelizmente, por conta dessa “pressa”, acabamos tendo os velhos clichês e personagens sem muita profundidade, digno de um filme “pipocão”.

É necessário confiança para que confiem em você

Embora o protagonismo esteja escancarado no personagem de Matt Damon, quem brilha é maravilhosa,Tian Jing, que interpreta Lin Mei, comandante do Exército Sem Nome . Se pararmos para analisar historicamente, seria impossível termos uma mulher na posição de comandante. Mas é se apegando na suspensão de descrença, temos no papel dado à atriz, uma das melhores coisas do filme.

Quando Lin Mei se faz presente em cena, nós enxergamos as características de um antigo guerreiro chinês, honra, compromisso, confiança em seus soldados e sabedoria, ideais que são fundamentais para que o exercito chinês possa enfrentar um inimigo muito mais numeroso e que chega de 60 em 60 anos.

O diretor Yimou Zhang ( “Herói” ) faz do filme, uma aventura de poucas sessões dos antigos RPG de mesa, usando e abusando de coreografias fascinantes e exércitos coloridos. Ao primeiro olhar, você irá acreditar que os soldados que defendem a muralha são os power rangers da época feudal, cada formação possui uma cor padrão: Armadura Preta – para a infantaria, Armadura Vermelha para os Arqueiros e Armadura Azul para as guerreiras da “Garça”.

Elas lutam na ponta da muralha, presas por uma corda na cintura e portando uma lança, impedindo com que o inimigo escale os muros e avancem para além da muralha, quando elas entram em ação, são cenas muito bem coreografadas e lindas.

Muitas flechadas, poucos acertos

As cenas da primeira luta do Exército chinês contra o horda dos Tao Tei, é de tirar o fôlego. Porém, o erro do filme, é colocar a maior e melhor batalha, no seu início. Tornando arrastada e previsível, o restante da aventura.

Os personagens secundários e seus objetivos, não funcionam, Pedro Pascal e Willem Dafoe até tentam seguir um rumo oposto ao desfecho do filme, porém caem mais uma vez no clichê, de tudo girar em torno do protagonista e não vão muito longe.

Falando em protagonismo, Matt Damon se entrega ao papel de forma excepcional! Filmes de ação, aventura, são de fato a sua especialidade. A sua química com Pedro, funciona em todos os momentos em que é exigida, o que acaba fazendo de Oberyn Martell o alívio cômico do filme.

Mas não existe só o lado bom no protagonismo de Matt Damon, embora brilhe muito no aspecto de atuação, Tian Jing não possui um bom desenvolvimento de personagem, já que a maioria das suas ações, partem de algo iniciado por William Garin (personagem do Matt), vemos isso até o último ato do filme. O que é meio chato, já que uma personagem tão forte, fica ainda presa à clichês antigos.

Considerações Finais

A Universal Pictures, tentou nos entregar um filme épico sem querer fazer história, embora contendo uma roteiro previsível, uma “pseudo” tentativa de sair dos clichês, mesmo falhando no desenvolvimento de personagens, entregar as melhores cenas de ação somente em um ato do filme, “A Grande Muralha” é uma boa opção caso você procure um filme de aventura/ação, com uma bela fotografia e tendo como base, a mitologia chinesa.