Num mundo pós 2029, cérebros se fundem facilmente a computadores e a tecnologia está em todos os lugares. Motoko Kusanagi, conhecida como Major, é uma ciborgue com experiência militar que comanda um esquadrão de elite especializado em combater crimes cibernéticos.

Se engana quem pensa que somente as animações da Disney ganham remake em live action, a obra de Masamune Shirow lançada em 1995, chega aos cinemas de todo o mundo depois de recepção nada calorosa por parte dos “nerds”, por verem uma ocidental, a linda Scarlett, no papel da Major.

E até a divulgação do primeiro trailer, existia uma enorme interrogação sob as cabeças de todos. E agora com o filme em cartaz, será que os “críticos” estavam certos? Ou a Paramount soube ser respeitosa com o material original e nos entregou de fato uma boa adaptação?

Animação x Live Action – Colocando Panos Quentes

Será inevitável as comparações entre animação de 95 e filme de 2017, a ideia de início não é essa, mas sim analisar “A Vigilante do Amanhã – Ghost in The Shell” somente como um filme. Porém deve ser dito que, a Paramount se preocupou sim, em entregar um matérial fiel à animação e ao mangá.

Alguns irão se incomodar com a Scarlett interpretando Mokoto Kusanagi, de fato, por hora a ideia da personagem principal ter traços ocidentais, e toda a história, ambientação se passar no continente asiático, te tira um pouco da imersão, mas devemos lembrar que a figura de uma pessoa ocidental nada mais é do que uma “concha” para guardar a “alma” da Major.

Um dos erros do filme está não em ter uma ocidental como protagonista mas em um antigo problema, todo mundo fala inglês, parece que 98% do elenco ser japonês e a produção do filme ser divida com estúdios também japoneses, não influenciou em nada na decisão de localizar a sua linguagem, como foi feito em “Assassin’s Creed”.

A densidade da história e o seu plot são elementos que acabaram ficando melhores no live action do que na animação de 95. O filme não optou por ter as cenas longas de contemplação da Major ou até mesmo as cenas onde a trilha sonora diz mais do que um dialogo, esses momentos acabam se tornado somente belos fan-services muito bem construídos visualmente.

Não Peça Para um Coelho Fazer o Trabalho de uma Raposa

Ghost in The Shell se tornou um das animações japonesas mais aclamadas de todos os tempos, principalmente no lado ocidental do planeta, por conta de toda filosofia existencialista em volta da Major e sua busca por descobrir quem ela é realmente, no filme temos um certo equilíbrio entre essa busca filosófica e cenas de ação, o roteiro bem amarradinho facilita em tornar esses elementos dependentes um do outro, o filme não acaba algo arrastado ou cansativo.

Partindo do que foi dito anteriormente sobre o lado filosófico do filme, a adaptação do vilão, é boa em teoria, porém na pratica fica um pouco a desejar, não entenda isso como um “o vilão do filme é ruim”, não é isso.

A forma como ele é desenvolvido e como se “deixa derrotar”, são os pontos negativos, somos levado para o clássico clichê de histórias Cyberpunk, – grandes empresas em busca de poder e armamento, enxergando o ser humano com mais um número, algo sem coração nem alma – o que dentro da proposta do filme, é o caminho mais cômodo que a história poderia tomar.

Em quesito de identidade visual, esse filme entra fácil como um dos mais fiéis em 2017. Todo o ambiente futurista cibernético em meio à prédios e construções antigas, apresentados na animação fazem-se presente durante todo o filme, e é de encher os olhos de qualquer “otaku” que só imaginava determinadas cenas existindo na animação.

Considerações Finais 

Temos em “A Vigilante do Amanhã” mais uma prova de que se pode adaptar uma história já contada sem ferir o original e ainda melhora-lá. É claro, não é um filme livre de falhas, algumas delas acontecem com a grande estrela da adaptação.

Scarlett nos entrega uma boa atuação, ela consegue trazer a angustia sem expressão características da Major, porém em alguns momentos, principalmente nas cenas fan service de contemplação filosófica da personagem, nos é entregue algo muito forçado e não são poucas vezes.

E por falar em fan service, já que o filme se vendeu justamente em cima das cenas mais icônicas da animação, nada mais justo que elas fossem feitas com total fidelidade não acham? E é o que acontece, desde a cena do salto da Major até a luta com o “Spider Tank”, temos fan services bem encaixados e lindos visualmente.

A decisão de adaptar as duas animações de “Ghost in The Shell” em um único filme, deu ao diretor Rupert Sanders, a possibilidade de construir uma história coesa e independente de uma continuação. Mesmo com intensidade menor na questão filosófica e sem o impacto da animação, “Kôkaku Kidôtai” ainda consegue nos levar em uma jornada existencialista, sobre o que afinal, nos define como seres vivos.

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Erivan Oliveira

Seguidor do Ubuntu, leitor de Hqs, sai durante a noite vestindo uma capa para bater em bandido.