“O amor nos ensina. Nos muda. Nos faz fazer o que nunca imaginamos.
Pode trazer à tona o nosso melhor. Ou o nosso pior.”

Lançamento fresquinho na Netflix, Fica Comigo conta a história de Tyler (Taylor John Smith, American Crime), um jovem colegial que, após brigar com sua namorada, Ali (Halston Sage, Cidades de Papel), se envolve com a estonteante Holly (Bella Thorne, DUFF), que por sua vez desenvolve uma paixão doentia por ele, e daí se desenrolam muitas confusões. Eu sei, eu sei. Parece um dramalhão adolescente, pegada Malhação e exagero dramático. E é bem por aí, mas de um jeito bom, dá para curtir o filme, sim.

Devo dizer que o que me levou a ver foi a recomendação de Anna Akana (Stitchers) em seu canal de YouTube, já que ela participa do filme como a amiga de Ali, Lydia. E após ler a sinopse (que é basicamente o que consta no parágrafo acima), eu esperava um Atração Fatal “teen, então neste quesito, saí satisfeito com o que tive, apesar de uns percalços ao longo e perto do fim.

Dito isso, vou destrinchar o positivo do negativo, e ressaltar o que merece destaque e o que merece que a gente finja que nem viu. E aviso que esta crítica não possui nenhum spoiler. Vamos lá!

Poxa Crush #1 – O enredo e seus protagonistas

O mote principal da história, ainda que previsível de certa forma, é bem instigante. Te deixa ligado na tela e curioso para o que vem a seguir, especialmente com a “vilã” da história sendo sempre tão imprevisível. Pontos ao diretor e à equipe de roteiristas por essa coesão na hora de contar o que propunham. O problema é, a catálise dessa coesão vem dos atores, e a maioria não funciona.

Elogios antes à Bella Thorne. Nunca imaginei que aquela atriz mirim da Disney fosse dar um show como femme fatale. O impacto que ela passa só com olhar, sutil e ameaçador, ou a voz trêmula que ela dá ao insistir que está apaixonada, mostram talento. Espero que em trabalhos futuros ela invista além das expressões e do drama propositalmente exagerado, porque potencial ela tem.

Agora, com o casal principal… complica. Taylor John Smith, mesmo que mande bem em American Crime, parece uma porta. Com discursos que sempre soam rasos e não fazem torcer pelo personagem. Enquanto a falta de química do casal prejudica Halston Sage, ainda mais não dando background algum à personagem dela. Se desenvolvessem melhor o casal principal, daria mais força aos planos de Holly, e mais medo do que poderia acontecer com eles.

Poxa Crush #2 – Os coadjuvantes e o desenrolar

Anna, adoro você e realmente acho que você estava bem em Homem-Formiga, mas que personagem ruim a sua. Lydia não transparece ser tão amiga do pessoal, e direto parece deslocada, não só dos demais personagens, mas do tom do filme. Isso prejudica o decorrer quando ela se torna parte direta ou indiretamente dos planos da antagonista.

Já Nash Grier (The Deleted) que interpreta o amigo de Tyler, Gil, se sobressaiu até. Deu um ar jovial aos momentos com o amigo, criando um personagem precisamente ingênuo como o roteiro pedia, e também dando um carisma e simpatia. Um defeito dele, de Anna e dos demais coadjuvantes foi aparecer muito pouco, talvez ajudassem a reforçar a empatia do público com o casal protagonista.

A trama cumpre o que promete, só que dá umas derrapadas. O incômodo inicial é saber que se o protagonista abrisse o jogo, nenhuma das merdas a seguir teria acontecido, mas passando isso, são pequenos buracos na estrada. O final que faz parecer que o filme não sabia bem aonde ir e forçaram uma barra de o amor vence tudo, pro bem e pro mal, porém você não está desgostoso com o filme quando sobem os créditos.

Considerações finais

No fim das contas, Fica Comigo é um bom suspense descompromissado, daqueles para se assistir nas noites frias sob o edredom, e não se levar tão a sério. Uma história simples, redondinha e com começo, meio e fim. Não são 2 horas desperdiçadas, se seu santo bater com o filme.

E se está só interessado em ver Bella Thorne de biquíni, vai na fé, ela aparece em roupas provocantes 90% do filme. Se é para passar o tempo vendo algo bacana, pode ir também. Só não vá esperando Os Intocáveis de um suspense adolescente. O filme não almeja isso, não se deve esperar tal semelhança.

E se não for sua praia, fica sussa, a Netflix (essa maravilhosa) lança uma porrada de filme novo original até o fim do ano. Já tá lá OKJA e War Machine. Ainda hoje sai The Bone (parece promissor, com Keanu Reeves e Lily Collins), em alguns meses tem Death Note, Bright e outros. Tá bom ou quer mais??

 

 

 

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Eduardo Bastos

Não conheci o mundo nerd por querer!