David Fincher gosta de trabalhar com personagens que possibilitam explorar suas personalidades fortes e explorar seus estilos marginalizados. Foi assim em Garota Exemplar, com a representação da personagem de Rosamund Pike, em A Rede Social, representado na figura de Mark Zuckerberg, em Millennium: Os Homens que Não Amavam as Mulheres, entre outros. E em Clube da Luta não é diferente.
O narrador (Edward Norton) é um executivo jovem, trabalha como investigador de seguros, mora confortavelmente, mas ele está ficando cada vez mais insatisfeito com sua vida medíocre. Para piorar ele está enfrentando uma terrível crise de insônia, até que encontra uma cura inusitada para o sua falta de sono ao frequentar grupos de auto-ajuda. Nesses encontros ele passa a conviver com pessoas problemáticas como a viciada Marla Singer (Helena Bonham Carter) e a conhecer estranhos como Tyler Durden (Brad Pitt). Misterioso e cheio de ideias, Tyler apresenta para Jack um grupo secreto que se encontra para extravasar suas angústias e tensões através de violentos combates corporais.

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Em todos os filmes do diretor norte-americano, a ótima fotografia está presente. Mesmo em Clube da Luta sendo uma cinematografia escura, cheia de sombras, devida à grande quantidade de cenas noturnas e internas com cores pasteurizadas, a qualidade da iluminação e enquadramentos é absurdamente boa. Nos primeiros dez minutos do longa, observam-se apenas Planos Médios e sem nenhuma movimentação, mas a agilidade e os primeiros movimentos fotográficos vêm na representação da personagem de Helena Bonham Carter e Brad Pitt, ou seja, nas cenas da vida pacata de Edward Norton o diretor usa planos fechados, sem movimento, mas quando o foco é a representação de liberdade vinda pelos dois outros atores, Fincher opta pela fotografia movimentada – boa sacada do diretor, pois isso induz ainda mais a personalidade de ambos personagens.
Além da ótima fotografia, atuações de destaque e da ótima montagem, talvez o destaque geral esteja no roteiro brilhante.
Se pararmos para analisar os pontos-chave que o roteiro proporcionaao espectador para revelar o triunfante desfecho do filme, veremos que tudo se encaixa perfeitamente e as cenas nas quais Edward Norton confronta a si mesmo estão muito bem alinhadas.

Não é somente de questões técnicas que vive Clube da Luta.
A crítica social que o filme faz também é muito importante ressaltar.

tumblr_mj64zecYIv1s5e6hno1_500“Vivemos no piloto automático, constantemente e facilmente influenciados e vivendo com a filosofia do consumismo extremo do dia a dia. O que é realmente necessário para viver? Quando nos apegamos exageradamente em bens materiais, acabamos sendo possuídos pelos mesmos, vivendo como se toda vida dependesse de consumir e consumir, enquanto degradamos daquilo que possuímos” – essa é a crítica.
O filme questiona diversas vezes através dos diálogos a questão do “ser consumista”. E é através do Clube da Luta que o personagem de Norton descobre a fuga para tal vida questionável.
“A violência dos clubes de combate serve não para promover ou glorificar o combate físico, mas para os participantes experimentarem sentimentos numa sociedade que está de outra forma dormente. As lutas representam a resistência ao impulso de estar “encapsulado” na sociedade.”

Clube da Luta é aquele famoso filme que divide opiniões: alguns o acham a obra-prima da carreira de Fincher, com uma surpreendente reviravolta no roteiro e interpretações brilhantes, já outros o acham confuso e o criticam por ter “poucas lutas”. Mas a verdade unânime é que não se pode apagar a importância cinematográfica e a relevância social que esta produção possui.
Mesmo com o fracasso de bilheteria nos cinemas, o filme se tornou um respeitado cult e está em todas rodas de debates cinéfilos.

Imperdível.

About The Author

Lucas Matias

Cinéfilo, diretor de cinema e autor do Instagram: @_ocinefilo