Em 1982 Ridley Scott revolucionou a ficção científica no cinema com a história do “Caçador de Androides”, em um futuro noir despótico de 2019.Quem é fã de Blade Runner, sabe do fracasso de crítica e bilheteria que o filme foi, mas também sabe o que ocasionou os números negativos.

Ridley estava construindo algo a frente do seu tempo e assim como obras de arte, o reconhecimento veio anos depois e hoje a história de Deckard e o monólogo “lágrimas na chuva” são ícones Cult do mundo pop.

De volta ao “nosso futuro”

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Começarei já dizendo que Blade Runner 2049 é uma sequência direta da versão “boa” do filme de 1982.

Somos apresentados à uma Las Vegas onde as industrias Tryell acabaram por falir, devido ao problema dos replicantes e após um blecaute em 2020 que estabilizou as grandes corporações, dando espaço para as indústrias de Niander Wallace (Jared Leto) se tornar dona de tudo e ainda conseguiu erradicar a fome no planeta.

No período do segundo filme, os androides passaram a habitar a Terra, versões muito mais avançadas, criadas pelas indústrias Wallace. Após os eventos do grande apagão, os replicantes nexos 8s (modelos antigos) que se rebelaram e fugiram para a Terra, estão sendo procurados e “aposentados”. K (Ryan Gosling) é o responsável por caçar esses replicantes, é ele o Blade Runner.

Uma Distopia Noir Futurística

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O diretor Denis Villeneuve tinha uma verdadeira bomba em sua mãos, ser responsável por uma sequência que nenhum fã via com bons olhos não é tarefa fácil, mas o que vimos em tela é de um respeito à obra original, acabando por vezes fazendo você se perguntar se seria Blade Runner 2049, melhor que o primeiro filme.

A intenção dele não é essa, em momento algum, enxergue essa sequência como uma expansão do universo criado por Ridley, feita com toda a atenção e cuidado que o filme de 1982 deveria ter tido. Prova disso é o esmero com que Villeneuve tem para com as questões filosóficas do existencialismo, a trilha sonora que está simplesmente espetacular, diria que melhor do que o primeiro filme e toda a ambientação já conhecida de Blade Runner, aquele futuro velho na base do neon continua lá, com seus hologramas ala Ghost in The Shell.

O roteiro do filme em si é algo bastante simples, ele não tenta seguir uma linha de pensamento absurdo, possui diálogos que se encaixam ao decorrer da trama, guiando quem o assiste, por um caminho para que no final, você  note que acabou sendo enganado junto com o personagem que move toda a trama.

Respeite o Passado e Abrace o Futuro

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Sem dúvidas Blade Runner 2049 está entre as maiores surpresas e os melhores filmes do ano, o retorno ao universo de Ridley Scott, diferente de Alien Covenant… Deu certo. Se algo em 1982 mudou o rumo da ficção científica nos cinemas, em 2017 isso voltou à acontecer.

Em um ano onde Hollywood tem optado por não se arriscar com filmes onde o público não precise discutir após os créditos, em reboots ou franquias, Blade Runner 2049 chega até nós, para mostrar que se pode expandir um universo já criado, dar uma nova leitura à ele, colocar a pessoa para ter uma reflexão e ainda fazer um filme bom.

 

 

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Erivan Oliveira

Seguidor do Ubuntu, leitor de Hqs, sai durante a noite vestindo uma capa para bater em bandido.