Crítica – Beleza Oculta

Beleza Oculta, conta a história de Howard (Will Smith) um homem perdido e destruído após a morte de sua filha, de Whit (Edward Norton) um homem cuja filha o odeia e o culpa pelo termino do casamento de seus pais, de Simon (Michael Peña) um pai que tem medo de morrer e não poder deixar dinheiro a sua família, e de Claire (Kate Winslet) uma mulher que chegou aos seus quarenta anos e tem medo de ter perdido o tempo que ela tinha de constituir uma família.

A trama gira em torno de Howard que é um executivo de anúncios de Nova York que para sair de uma depressão causada pela perda de sua filha, ele busca métodos não convencionais.

O principal propósito do filme é nos conscientizar de que nós não podemos comprar amor com dinheiro e o tempo e a morte, são coisas inevitáveis e devemos aceitá-las como são. Inevitáveis. E perceber a beleza das relações humanas, que como é chamada no filme, a beleza oculta.

“Não percebemos a beleza do mundo, só queremos ver a feiura”

O filme acontece durante o natal de Nova York, mas não se engane não é um filme de natal, não conseguimos sentir aquele “espírito natalino”.

O natal aqui serve para dar um tom mais pesado de união e sofrimento dos protagonistas, que muitas vezes ficam em delírios em suas melancolias. E é através de seus ângulos diversificados de uma Nova York natalina, que o diretor David Frankel (Marley & Eu), nos mostra de forma discreta a “beleza oculta” descrita no filme.

Sem tratar o espectador como burro, o destino dos personagens fica implícito em apenas palavras, pois não há necessidade de mostrar o que não precisa, e é aí que o filme conquista. O roteiro de Allan Loeb (O Dilema) apesar de às vezes parecer preguiçoso, é uma forma que o roteirista encontrou de contar uma história que não é nem um pouco fácil de digerir.

Beleza Oculta

O ponto mais alto do filme é com certeza a atuação de Will Smith, que destrói no papel, com uma atuação pesada e sofrida, realmente acreditamos na dor que seu personagem está sentindo, e acabamos por querer chorar junto com ele, e isso se torna mais profundo ainda para quem é pai, quando sabemos da importância que um filho tem na vida da gente e assim como um pai tem na vida de um filho, e o mesmo transmite isso muito bem.

Cada um dos personagens possuem suas particularidades, e cada um consegue interpreta-las com êxito. Conseguimos gostar deles, por mais que os desvios morais de alguns personagens sejam algumas vezes perturbadores, sentimos empatia, e conseguimos ver a “beleza oculta” que eles possuem.

O filme não possui um único protagonista propriamente dito, pois existem diversos arcos de personagens, e cada um vai se fechando com o tempo, apesar de toda a trama girar em torno de Howard, ele acaba tendo o seu arco finalizado como o dos demais protagonistas.

Os três personagens secundários, possuem muita importância durante a trama assim como os atores que os interpretam convencem muito também, como Keira Knightley (Amy / “Amor”) cuja carreira só é lembrada por Piratas do Caribe aqui desempenha um papel que chega a surpreender, Helen Mirren (Brigitte / “Morte”) que mostra o porquê de ser uma atriz tão importante para a sétima arte, e Jacob Latimore (Raffi / “Tempo”) cuja existência para mim era desconhecida até esse filme, mas que me surpreendeu por conseguir fazer um personagem tão forte.

“Uma verdade dura, porém sincera”

A grande sacada do filme, é com certeza esfregar na nossa cara o quanto somos hipócritas, julgamos as pessoas somente pelos seus erros, e esquecemos de olhar para as coisas boas que elas fazem, para nós um erro tem mais peso que vários acertos, e é essa realidade que não aceitamos, pois se aceitarmos, acabamos por admitir um erro.

Podemos ver essa mensagem durante todo o filme, mais precisamente quando os personagens secundários estão interagindo com os protagonistas.

O filme também possuí dois plot-twists que são dignos de “Sexto Sentido (1999)”, o que nos deixa de boca aberta, e que após assistirmos percebemos que estava na nossa cara o tempo todo.

Considerações Finais

No começo do filme já somos recebidos com um soco no estomago, e através do primeiro ato somos apresentados aos personagens e ao seus backgrounds, pode parecer chato e sem importância, mas eu garanto que é importante, pois Beleza Oculta é um filme que se deve prestar atenção desde o inicio, para que você não se perca na trama, já que como eu havia dito, o filme não te trata como idiota.

O segundo ato do filme, ele perde um pouco o ritmo e a direção fica um pouco confusa, mas à partir do terceiro ato, o filme se torna uma linda e adorável surpresa.

“Beleza Oculta” é um filme inspirador e tocante, cuja mensagem devemos abraçar, e nos livrar de preconceitos hipócritas, pois como é dito no filme “Devemos buscar a beleza oculta”.

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Eduardo Moyano

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