Há uma doença dentro de nós, subindo como a bile que deixa um gosto amargo na nossa garganta, Está em cada um de vocês ao redor da mesa, só quando sabemos o que nos afeta, é que temos a esperança de encontrar uma cura.

Tendo como ponto inicial uma profunda reflexão sobre o ser humano, assim começa “A Cure For Wellness”, ou “A Cura Para o Bem Estar”, que aqui no Brasil foi traduzido somente como “A Cura”, talvez por medo do título revelar fatos a respeito da película, coisa que ocorre logos nos primeiros minutos de filme, do Visionário diretor Gore Verbinski que já dirigiu longas como a primeira trilogia de Piratas do caribe e “O Chamado”.

Temos em nossas mãos um suspense psicológico com elementos de fantasia que pode ser descrito em três palavras: velhinhos, água e incesto.

O que oferecemos aqui é um processo de purificação

Como enredo temos, um executivo ambicioso que após a morte de um colega de função na bolça de ações é enviado para os Alpes Suíços para trazer de volta a América o CEO de sua companhia, o qual está se tratando em um ‘Centro de Cura’, porém logo descobre que o local não é tão inocente quanto aparenta.

O filme ambientado nos Alpes suíços teve como local de gravações o castelo Hohenzollern, em Hechingen, na Alemanha, com uma bela paisagem e fotografia que nos imerge na beleza e aflições dos personagens, somos apresentados a uma infinidade de personagens todos a beira da insanidade, as quais habitam não só na  bizarrice de seu “ser” mas também em suas relações com os outros.

Há uma terrível escuridão aqui

Um filme avaliado como não recomendado para menores de 16 anos por conta de seu conteúdo sexual, violento e perturbador o qual inclui um estupro, além de nudez gráfica e palavrões peca em seu mal uso, se tornando nada mais do que mais um filme bizarro, as cenas que deveriam chocar por seu conteúdo de nudez ou palavrões nada mais são do que pequenas bizarrices de personagens sem noção.

Talvez o diretor tivesse em seu âmago o interesse em suscitar uma quebra de paradigma moral da audiência, porém seu mal uso não passa batido se tornando um ponto a menos numa película que muito prometia como Suspense Psicológico.

Está aqui pela cura?

A película permanece morna do inicio ao fim, com seu enredo sendo descoberto logo nos primeiros minutos o que resta a audiência é esperar que o protagonista tenha ações as quais o leve ao “grand finale da obra, porém sua inércia em fazê-lo cria uma reação negativa ao filme.

Mesmo com a suspensão de realidade a qual nos diz que certas ações devem ser realizadas pelo personagem ou não haverá filme; Suspensão essa que mesmo atingindo a estratosfera com as péssimas tomadas de decisões do personagem chega ao nível de atrapalhar a película, e se pensar como alguém como ele chegou a se tornar um grande executivo do mercado de ações assim?

Não existe cura.

Os furos de roteiro são demasiadamente grandes, impedindo o bom desenvolvimento da obra, chegando ao ponto do próprio centro de “bem estar” muitas vezes ser chamado de Spa ou Sanatório e tenha certeza que isso não ocorre como forma de esconder o que acontece em suas dependências ou sarcasmo por parte dos personagens.

Por mais que a sua fotografia e trilha sonora sejam satisfatórias para imergir a audiência na história, elas não são suficientes para nos fazer esquecer do péssimo efeito visual;  A Cura é uma película fraca, que não prende a atenção e peca por não saber usar os instrumentos em suas mãos, ou seja Não Existe cura para o filme.

Só mais uma coisa: ninguém nunca sai!

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