13 Reasons Why (Os 13 Porquês) é o novo lançamento da Netflix. Com indicação classificativa de 16 anos, a série trata de temas pesados, complexos e geralmente não abordados diariamente como o suicídio, o bullying e o estupro. Baseada na obra literária homônima de Jay Asher, que teve seus direitos adquiridos por Selena Gomez em 2009, sempre deixou os leitores na expectativa de uma adaptação cinematográfica. E ainda bem que não ocorreu, já que a série foi feita de forma quase que impecável.

A série

Nem os pequenos problemas de ritmo devido ao tempo de cada episódio, que poderiam ser reduzidos, impediram que a série se tornasse um sucesso, sendo um dos principais assuntos nas redes sociais, tornando debates sobre temas problemáticos bastante interessantes. O protagonismo da série fica por conta de Hannah Baker (Katherine Langford) e Clay Jensen (Dylan Minnett) que estão excelentes em seus papéis.

Diferentemente do livro onde Clay escuta todas as fitas em apenas uma noite, os produtores da série tiveram uma ótima alternativa para encaixar isso em uma série, fazendo com que Clay ouvisse aos poucos, tornando a série uma espécie de procedural, pois cada episódio revela uma fita. Dessa forma os personagens secundários e suas tramas ganharam mais profundidade, coisa que não é explorada no livro, fazendo com que você se apegue e entenda alguns e odeio mais ainda outros.

Os acontecimentos da série ocorrem no presente (onde Clay escuta as fitas) e no passado (que mostram o conteúdo delas). Podemos notar a diferença entre presente e passado pelos seguintes aspectos: Clay sofre um acidente no primeiro episódio e leva consigo um machucado na testa que nunca cicatriza, o que da para diferenciar do passado, onde ele não possui essa cicatriz.

A fotografia da série também trabalhou com uma paleta de cores diferenciada em cada momento, trazendo uma cor mais viva no passado, com mais tons amarelos e avermelhados, enquanto no presente onde não temos mais a presença de Hannah as cores predominantes são azul e cinza, cores mais escuras e densas.

Temática da série e seus impactos

Muitos dos temas tratados na série são apenas o puro reflexo de inúmeros acontecimentos no mundo. No Brasil em 2016 estudos estatísticos apontaram que 77% das mulheres do Brasil já sofreram abuso sexual físico, outro dado alarmante é que a cada 3 horas uma mulher é estuprada no Brasil.

Agora reflita um pouco, quantos e quantos jovens já passaram por isso e convivem ao seu redor sem que você nem faça ideia de que ela tenha passado por isso? Um dos motivos da Hannah ter tido dificuldade em expressar essas experiências é porque só quem já sofreu com isso realmente entende como é ter que acordar e se lembrar de cada detalhe desse fato.

Infelizmente o Brasil é um dos países onde mais registra casos de violência contra mulher, seja ela física, verbal ou abusiva, e uma série tendo como público alvo os jovens, tratar disso é muito importante e pouco vista, afinal ela se torna uma forma de reflexão para quem assiste e capta as inúmeras mensagens passadas na série.

Hannah Baker foi egoísta ao deixar as 13 fitas para as pessoas? Sim, ela foi extremamente egoísta. Nada que você tenha passado justifica que você destrua a vida de outra pessoa. Não dessa forma. Se ela queria que os culpados pagassem, existem meios legais para isso. Vingança é algo que não vale a pena ser feito, não devemos combater ódio com ódio.
A intenção dela com essa fita ao mostrar ao Clay, por exemplo, não era ferrar a vida dele, mas isso quase aconteceu.

Nenhuma pessoa tem estômago forte o suficiente para ouvir aquelas fitas e viver como se nada tivesse acontecido. Isso se tornou um trauma para cada pessoa, e levou a maioria delas a ficarem paranoicas e não conseguirem mais viver normalmente. Não tirando a culpa do erro das pessoas, mas no fim de tudo, Hannah Baker se tornou um porquê, não só para as pessoas que deixou a fita, mas também para a família dessas pessoas e principalmente sua própria família, afinal, independente de qualquer coisa a decisão de se suicidar foi única e exclusivamente dela.

Ela teve motivos? Sim, teve, mas tirar sua própria vida não é a melhor solução para resolver seus problemas, isso é apenas mais um ato egoísta, pois quem vivia próximo a ela que continua em vida arca com a decisão dela. Todo mundo está propenso a ser o “porquê” de outra pessoa

Não seja um porquê

Depois do lançamento da série, uma campanha vem ganhando força nas redes sociais “Não seja um porquê”. Mas o que é ser um porquê? Bom, no caso de Hannah Baker, os 13 porquês foram as pessoas que causaram consequências em sua vida que acarretaram na sua decisão de cometer suicídio. Eu posso ser um porquê de outra pessoa? A resposta é sim.

Todos estamos propensos a isso. Não sabemos o dia a dia de todas as pessoas ao nosso redor (vizinhos, colegas e até mesmo amigos e familiares), nunca falamos completamente sobre o que estamos passando com qualquer pessoa, e uma atitude, por menor que essa pessoa tenha, pode atingir a outra que está em um momento fragilizado de sua vida.

Mas também podemos ser porquês de uma forma positiva, que é o oposto do que a série aborda, mas nem por isso deixa de ser um tema importante, talvez até mais do que os outros. Podemos ser um porquê de uma pessoa que está feliz em viver e para isso não precisamos ser ricos ou algo do tipo, são os pequenos gestos que fazem nosso dia melhor.

Os 13 Porquês está disponível no serviço de stream da locadora vermelha, então corre lá e assiste, vale muito a pena, afinal quando uma garota morta decide contar uma história, você deve parar para escutá-la.

Série: Os 13 Porquês
Ano de lançamento: 2017
Diretor: Tom McCarthy
Produtores: Selena Gomez, Tom McCarthy, Michael Sugar, Steve Golin e Diana Son
Distribuição: Netflix

About The Author

Victor Bugallo

Sacerdote do Deus Afogado nascido nas Ilhas de Ferro, descendente de Odin, aluno da Corvinal e filho de Darth Vader.