Filmes baseados em jogos, sempre chegam ao público como uma grande incógnita. A transferência de uma mídia para outra é um processo complicado. Afinal, o filme precisa ser uma boa adaptação e ao mesmo tempo entregar uma boa experiência para quem paga o ingresso.

Os resultados de outras experiências não foram muito bem vistos, a lista de filmes que fracassaram em sua tentativa de adaptação é enorme.

E o anúncio de um filme baseado no universo de Assassin’s Creed, acendeu aquela fagulha de esperança em meio a tantos fracassos. A missão tem o mesmo nível de dificuldade que matar um Templário, será que a Ubisoft soube cuidar do seu próprio produto?

Bem vindo ao Animus

Se você nunca jogou ou leu algo sobre assassinos encapuzados, o filme trata de te introduzir a esse universo, com uma história totalmente nova e sem ligação com qualquer outro jogo da série. Porém os fãs da franquia irão dá aquela esticada na sobrancelha ao notar certas referências.

Nos tempos atuais, a Fundação Abstergo ( fachada dos Templários), possui um condenado a morte, Callum Lynch ( Michael Fassbender) que é “salvo” pela Abstergo e tem suas memórias de vidas passadas, sendo vasculhadas através de uma máquina chamada Animus.

Os templários querem com essa máquina, encontrar a localização da Maçã do Éden, um artefato que os ajudará em seu plano de dominação mundial. E Callum possui o DNA da última pessoa que colocou as mãos na maçã. Eis o um breve resumo da história para te situar no meio da guerra entre assassinos e templários.

Lembrem-se, é um filme, não um jogo

Temos que analisar o filme, com a consciência de que ele é uma adaptação de um material que inicialmente foi pensado somente para uma mídia, onde as possibilidades para realizar alguns atos, são mais possíveis.

Mas quando o filme decide focar a sua maior parte em algo que é mal produzido nos jogos e o público daquele produto não suporta, o que devemos esperar? Coisa boa que não é!

No universo de Assassin’s Creed, a viagem da “consciência” do personagem principal para o passado ou presente, acontece em momentos e de formas certas que deixam a história fluída, e o maior enfoque sem dúvidas, fica no passado, lá é onde todos os grandes plots das histórias acontecem.

Mas por algum motivo, o filme decide não abraçar o que é adorado pelos fãs e o que tornou a franquia Assassin’s Creed famosa. Optando por gastar (acho que esse é o melhor termo) tempo de tela, mostrando os acontecimentos no presente. Até seria interessante enxergar a franquia dos assassinos por esse ângulo, mas deveria ter sido bem feito.

Background dos Personagens só por DLC

Algo que irá incomodar aos fãs dos jogos e a quem está procurando um filme bom para assistir. É a fraca (muito mesmo) construção dos personagens que envolvem a trama. Somos apresentados ao personagem ancestral de Fassbender, de uma forma que só sabemos o seu nome e nada mais.

Falta muito carisma em todos os personagens do filme, Jeremy Irons que interpreta um templário e diretor da Abstergo, passa a impressão de que gravou as falas em um dia antes logo após isso, foi para o set gravar, e estamos falando de Jeremy, ganhador de um Oscar.

Agora imagina, se um personagem interpretado por alguém do cacife de Irons, não possui carisma, o que esperar dos secundários?

A parceira de Aguilar Nerha (o ancestral do personagem de Fassbender), o antagonista do passado e até o seu “segurança” que possui um tempo de tela enorme, são simplesmente jogados na história e nos resta simplesmente ir aceitando esse acontecimento a medida que o filme vai avançando.

O que acaba indo totalmente na contramão de algo que deveria ser trazido dos jogos para o filme. A relevância dos personagens secundários, não nos é mostrado nenhum background deles ou sequer os seus próprios nomes.

Quem sabe em uma próxima vez

A Ubisoft assim como outras empresas que tentaram adaptar os seus jogos para as telonas, falhou. Mas o filme não é uma catástrofe nível “Super Mário Bros”, as cenas de luta são de longe uma das melhores coisas que vemos, ficando atrás das pouquíssimas cenas de parkur.

A decisão de Justin Kurzel (Macbeth) que deve ser muito aplaudida e reproduzida por outros diretores, são as cenas que se passam na Espanha, serem feitas somente em espanhol. Essa acertada decisão, junto à uma mixagem de som sensacional e à uma fotografia que define bem o passado e o presente, tornam o filme um pouco mais imersivo.

Mas a decisão de mudar a forma funcional do Animus e mascarar o Salto da Fé, essas não devem lembradas.

Não foi dessa vez que tivemos uma boa adaptação de um jogo para o cinema, mas ganhamos um bom filme para se assistir em um dia de Domingo preguiçoso. Os fãs de Assassin’s Creed, verão esse filme com outros olhos ( seja positivamente ou não), diferentemente de alguém que não sabe nada sobre o universo do games, para ela, esse filme não representará muita coisa.