É, fizeram filme disso.

Agindo como reboot da série de TV de sucesso dos anos 90, a história gira em torno do corpo de salva-vidas da praia de Baywatch, o Capitão Mitch Buchannon (Dwayne “The Rock” Johnson), e sua trupe, quando chega o novo recruta rebelde, o ex-medalhista olímpico Matt Brody (Zac Efron). Achou pouco? Ah, é. E eles resolvem crimes.

O elenco também conta com os talentos de Alexandra Daddario, Kelly Rohrbach, Ilfenesh Hadera, Jon Bass (neste caso, nem tanto talento assim) e a belíssima Priyanka Chopra como a vilanesca e caricata Victoria Leeds.

Segundos socorros: Alguém salve esta trama

A trama do filme é caricata (intencionalmente) e redondinha, mas devo dizer que, no geral, não funciona. Apesar das boas piadas quanto a chamar a polícia (Brody faz esta piada diversas vezes, continua boa) para resolver os estranhos assassinatos e tráficos de droga, os salva-vidas são transformados em versões de praia do 007, o que em vários momentos transforma o filme de risível para ridículo.

O timing de algumas piadas também chega a ser incômodo às vezes, como nas relacionadas a vilã Victoria, como em uma festa quando tentam distraí-la (É, Priyanka, sei que é seu primeiro summer movie americano, mas não foi dessa vez). Jon Bass também tem cenas forçadíssimas, e boa parte culpa do ator, que apelou para o exagero na interpretação. Também acho que escolheram o diretor errado para este filme, Seth Gordon (do horroroso Uma Ladra Sem Limites e do ótimo Quero Matar Meu Chefe) não sabe fazer um humor escatológico/sexual quando necessário, e isso fica claro quando as melhores cenas são espelhadas da série original.

E a edição não ajuda. Cenas picotadas, e um desenvolvimento de personagens muito errado, com diversas falhas (não sei se foi só edição ou roteiro, mas darei um voto de confiança para os caras). Ora Matt Brody é um moleque irresponsável, ora ele do nada volta para salvar sua “família” de Baywatch (El Diablo feelings). A cena da destruição da filmagem do celular é estúpida e sem sentido.

Para não dizer que tudo são espinhos, os atores se saíram muito bem. A química é visível e suas interações são fantásticas. Destaque para Zac Effron, o ator tem cada vez mais saído das sombras de High School Musical e provado seu valor, seu timing cômico segue melhorando, de Vizinhos, Caça-Noivas, até Baywatch. Falar de The Rock também é desnecessário, o cara é um poço de carisma, e suas interações com Effron foram hilárias. Alexandra Daddario, Kelly Rohrbach e Ilfenesh Hadera também estão muito boas, uma pena que foram subutilizadas para dar mais tempo de tela ao personagem de Bass. Uma pena mesmo.

Considerações finais (em câmera lenta):

Baywatch – S.O.S. Malibu acaba sendo então 2 horas que seriam melhor aproveitadas com outra coisa. Assiste Mulher-Maravilha, A Múmia, Rei Arthur, Mulher-Maravilha de novo.

Eu adorava a série antiga (que foi até bem homenageada, com participações especiais e tudo), mas acho que ainda falta um pouco para termos uma adaptação que seja ao mesmo tempo que fidedigna, de fato boa. Porque não é só de slow motion e gostosas que vive uma boa franquia (E olha que isso é meio caminho andado. Come on, guys!), infelizmente parece que nem este grupo excepcional de salva-vidas vai ser capaz de impedir que uma sequência morra na praia.

Porém, se você quer ver um filme divertidinho, com ótimas piadas pontuais, com corridas em câmera lenta (melhores cenas do filme, de longe), peitos balançantes e piadas de pinto, bem, esse é o filme para você. Mas não diga que não avisei da parte ruim. Baywatch – S.O.S. Malibu estreia dia 15 de junho.