Com diversos remakes e sequências de sagas sendo produzidas hoje, na sua maioria filmes de ação ou aventura com uma edição frenética, repleto de cortes rápidos e o uso da câmera tremida para dar a falsa impressão de ação de qualidade, a beleza do Plano Sequência é extremamente difícil de ser encontrada.

“André Bazin, co-fundador da lendária revista Cahiers du Cinéma, definia o plano-sequência como a filmagem de uma ação contínua com longo período de duração, no qual a câmera realiza um movimento sequencial, sem ocorrência de cortes e em apenas um take.” Ele alegava que o uso deste artifício daria mais realidade ao filme e daria a liberdade interpretativa ao espectador.

É bem verdade, que o uso do Plano Sequência tem que ser pensada na decupagem tão cuidadosamente quanto a escolha do elenco. Tal técnica demanda tempo e ensaio, pois é, acima de tudo, um desafio para aqueles que se dizem bons atores e diretores, devido à complexidade dos enquadramentos, sutileza na continuidade, conhecimento da linguagem e um jogo de paciência.

Listamos abaixo alguns filmes que usam bem esta técnica:

Birdman (Alejandro González Iñárritu, 2014)

Eleito melhor filme de 2014 pela Academia, Birdman trouxe à tona novamente, para aqueles que não eram familiarizados com a técnica, o uso do Plano Sequência. O filme foi tão aclamado pela crítica, que acabou sendo indicado ao Oscar em 9 categorias, vencendo 4 prêmios: Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Fotografia e Melhor Roteiro Original.

No passado, Riggan Thomson (Michael Keaton) fez muito sucesso interpretando o Birdman, um super-herói que se tornou um ícone cultural. Entretanto, desde que se recusou a estrelar o quarto filme com o personagem sua carreira começou a decair. Em busca da fama perdida e também do reconhecimento como ator, ele decide dirigir, roteirizar e estrelar a adaptação de um texto consagrado para a Broadway. Entretanto, em meio aos ensaios com o elenco formado por Mike Shiner (Edward Norton), Lesley (Naomi Watts) e Laura (Andrea Riseborough), Riggan precisa lidar com seu agente Brandon (Zach Galifianakis) e ainda uma estranha voz que insiste em permanecer em sua mente.

Festim Diabólico (Alfred Hitchcock, 1948)

Brandon (John Dall) e Philip (Farley Granger) matam David Kentley (Dick Hogan), um colega da escola preparatória, apenas para terem a sensação de praticar um assassinato e provar que conseguem realizar o crime perfeito. Para desafiar os amigos e a família, resolvem convidá-los para uma reunião no apartamento deles, onde colocam a comida em cima de um baú e dentro do mesmo está o corpo da vítima.

O Iluminado (Stanley Kubrick, 1980)

O Iluminado foi um dos primeiros filmes a usar a Steadicam de forma mais brilhante.

Durante o inverno, um homem (Jack Nicholson) é contratado para ficar como vigia em um hotel no Colorado e vai para lá com a mulher (Shelley Duvall) e seu filho (Danny Lloyd). Porém, o contínuo isolamento começa a lhe causar problemas mentais sérios e ele vai se tornado cada vez mais agressivo e perigoso, ao mesmo tempo que seu filho passa a ter visões de acontecimentos ocorridos no passado, que também foram causados pelo isolamento excessivo.

Gravidade (Alfonso Cuarón, 2013)

Matt Kowalski (George Clooney) é um astronauta experiente que está em missão de conserto ao telescópio Hubble juntamente com a doutora Ryan Stone (Sandra Bullock). Ambos são surpreendidos por uma chuva de destroços decorrente da destruição de um satélite por um míssil russo, que faz com que sejam jogados no espaço sideral. Sem qualquer apoio da base terrestre da NASA, eles precisam encontrar um meio de sobreviver em meio a um ambiente completamente inóspito para a vida humana.

E aí, lembrou de mais algum filme que usa esta técnica?

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Lucas Matias

Cinéfilo, diretor de cinema e autor do Instagram: @_ocinefilo